quarta-feira, 24 de agosto de 2011

É MUITO IMPORTANTE LANÇAR UM OLHAR CRÍTICO SOBRE AS INFORMAÇÕES DOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO...

Vejam alguns dos motivos pelos quais a Líbia (ou Khadafi) se tornou uma pedra no sapato do mundo capitalista:  

Excentricidade e brutalidade marcam o governo de Khadafi na Líbia


As várias fases de Khadafi
Khadafi está no poder há décadas
Em um período que se estende por quatro décadas, o líder líbio, Muamar Khadafi, desfilou pelo cenário internacional com um estilo tão peculiar e imprevisível que as palavras "excêntrico" ou "dissidente" talvez não consigam descrevê-lo com exatidão.
Com suas aparições em reuniões internacionais marcadas por roupas extravagantes e discursos sem rodeios, Khadafi foi visto como herói revolucionário, pária do cenário internacional, parceiro estratégico valorizado e novamente pária.

Líbia

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O líder líbio desenvolveu sua própria filosofia política, escrevendo um livro que é, pelo menos de acordo com o autor, tão influente que se destaca mais do que qualquer coisa feita por Platão, Marx ou Locke.
O início
Em 1969, quando tomou o poder em um golpe militar sem violência, e no início da década de 70, Muamar Khadafi era um jovem oficial do Exército, considerado bonito e carismático.
Discípulo do presidente Gamal Abdel Nasser, do Egito (ele até adotou a mesma patente militar de Nasser, se promovendo de capitão para coronel depois do golpe), Khadafi começou seu governo enfrentando o legado de injustiça econômica deixado pela dominação estrangeira na Líbia.
E a grande questão de Khadafi foi o petróleo.
Khadafi e Nasser
Khadafi era discípulo do presidente Naser, do Egito
No final da década de 50, reservas de petróleo foram descobertas na Líbia, mas a extração do produto era controlada por companhias estrangeiras, que estabeleciam os preços para dar vantagens aos consumidores de seus países de origem e ficavam com metade da renda.
Khadafi exigiu a renegociação dos contratos, ameaçando fechar a produção se as companhias petroleiras se recusassem. Ele desafiou os executivos destas companhias estrangeiras, afirmando que "pessoas que viveram sem petróleo por 5 mil anos podem viver sem isto de novo por alguns anos para conquistar seus direitos".
A estratégia funcionou e a Líbia se transformou no primeiro país em desenvolvimento a garantir uma fatia majoritária dos ganhos de sua própria produção de petróleo. Outros países logo seguiram o exemplo e o boom do petróleo árabe da década de 70 começou.
E a Líbia logo colheu os benefícios. Com os níveis de produção alcançando os de países do Golfo, e uma das menores populações da África (menos de 3 milhões de pessoas na época), o país enriqueceu rapidamente.
Outro caminho
Ao invés de seguir as doutrinas do nacionalismo árabe ou seguir os excessos consumistas dos países do Golfo, Khadafi preferiu seguir outro caminho.
Página do Livro Verde, de Khadafi
Khadafi explicou suas teorias no Livro Verde
Filho de pais beduínos, nascido em 1942, Muamar Khadafi era um homem inteligente e talentoso, mas ele não teve uma educação completa, a não ser pela leitura do Corão e pelo treinamento militar.
No entanto, no começo dos anos 70, ele resolveu ser um filósofo político, desenvolvendo o que chamou de terceira teoria universal, destacada em seu famoso Livro Verde.
A teoria alega resolver as contradições inerentes no capitalismo e comunismo (a primeira e segunda teorias), para colocar o mundo em um caminho de revolução política, econômica e social e libertar os povos oprimidos.
Na verdade, a teoria é uma série de críticas severas e é muito irônico que um texto cujo objetivo seria libertar os povos dos interesses de sistemas políticos dominantes tenha sido usado para dominar uma população inteira.
O resultado da teoria de Khadafi, marcada pela intolerância absoluta a opiniões dissidentes ou alternativas, foi o esvaziamento da sociedade líbia de todos os vestígios de constitucionalidade, sociedade civil ou participação política
autêntica.
O sistema
O livro de Khadafi afirma que a solução dos problemas da sociedade não está na representação eleitoral, descrita por ele como uma "ditadura" do maior partido, ou qualquer outro sistema político. Mas o estabelecimento de comitês do povo para governar todos os aspectos da vida.
Este novo sistema é apresentado em forma de um diagrama no Livro Verde, com os congressos populares mais básicos em volta da borda de uma roda, elegendo os comitês do povo, que influencia um secretariado do povo, no centro.
O povo líbio foi levado a participar dos congressos populares, que não tinham poder real, autoridade ou orçamento, com o conhecimento de que qualquer um que falasse fora de sua vez ou criticasse o regime seria levado para uma prisão.
Uma série de leis draconianas foi imposta em nome da segurança do país com penas que incluíam punições coletivas, morte para os que espalhassem teorias que visassem implementar mudanças na Constituição e prisão perpétua para os que disseminassem informações que prejudicassem a reputação do país.
As histórias de tortura, longas penas de prisão sem um tribunal justo, execuções e desaparecimentos se multiplicaram.
Muitos dos cidadãos mais bem educados e qualificados escolheram o exílio ao invés de servir o regime.
'Cachorro louco'
Sem as restrições, Khadafi foi capaz de espalhar sua campanha contra o imperialismo pelo mundo, financiando e apoiando grupos e movimentos de resistência.
Ele também atingiu líbios exilados e dezenas destes foram mortos por assassinos que pertenceriam a uma rede secreta global da Líbia.
Mas, se os governos de outros países não se importavam com a violação de direitos na Líbia e perseguição de dissidentes, a situação de Khadafi mudou em 1986, quando uma casa noturna usada por soldados americanos em Berlim foi atacada com bombas e a culpa recaiu em agentes líbios.
O então presidente americano, Ronald Reagan, ordenou ataques aéreos contra Trípoli e Benghazi, como retaliação pela morte de dois soldados e um civil, além das dezenas de feridos em Berlim, mesmo sem provas concretas do envolvimento da Líbia.

Trechos do 'Livro Verde'

                                                                                                                                                             "Liberdade de expressão é o direito de cada pessoa, mesmo se a pessoa escolher se comportar irracionalmente, para expressar sua insanidade. (...) Mulheres, como os homens, são seres humanos. Isto é uma verdade incontestável... Mulheres são diferentes dos homens na forma, pois são fêmeas, como todas as fêmeas dos reinos vegetal e animal diferem dos machos de suas espécies... Segundo ginecologistas, as mulheres, diferente dos homens, menstruam todos os meses... Como os homens não podem engravidar, eles não passam pelas indisposições que as mulheres passam. "
A retaliação visava matar o "cachorro louco do Oriente Médio", como Reagan o chamou na época. Mas, apesar dos danos, de um número desconhecido de mortos, incluindo daquela que seria a filha adotiva de Khadafi, o líder líbio escapou ileso.
O próximo incidente desfavorável foi a explosão do voo 103 da Pan Am, sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, causando a morte de 270 pessoas, no pior atentado da história da Grã-Bretanha.
Inicialmente Khadafi se recusou a entregar os dois suspeitos líbios para a Justiça escocesa, o que resultou em um período de negociações e sanções da ONU. Isto acabou em 1999, quando eles foram entregues e julgados.
Um deles, Abdelbasset Ali al-Megrahi foi condenado à prisão perpétua.
Século 21
A resolução do caso Lockerbie, junto com a renúncia de Khadafi ao programa nuclear e de armas químicas, abriu
caminho para uma retomada das relações entre a Líbia e os países ocidentais no século 21.
A retomada das relações foi vista como um dos poucos resultados positivos da invasão militar do Iraque em 2003. Khadafi teria visto o destino de Saddam Hussein, enforcado pelos iraquianos depois de um processo liderado pelos americanos, e teria aprendido a lição.
Com as sanções internacionais suspensas, Trípoli voltou ao itinerário da política internacional e, com isso, líderes como ex-premiê britânico Tony Blair, entre outros, frequentaram a luxuosa tenda ao estilo beduíno de Khadafi, erguida no terreno de seu palácio. Uma tenda que Khadafi levava junto com todo o luxo em suas viagens.
Apesar dos protestos de familiares americanos das vítimas do atentado de Lockerbie, a Líbia continuou fechando contratos com companhias ocidentais.
Entre os árabes, Khadafi manteve sua fama de ovelha negra na primeira década do século 21, fazendo aparições extravagantes nas reuniões da Liga Árabe, acendendo cigarros e jogando a fumaça no rosto do vizinho, com seus discursos inflamados ou se proclamando "rei dos reis da África".
Rebelião
Quando as primeiras revoltas começaram nos países árabes, em dezembro de 2010, a Líbia não estava no topo da maioria das listas de apostas dos próximos países.
Tony Blair foi um dos líderes que visitou Khadafi em sua tenda (Getty)
Tony Blair foi um dos líderes que visitou Khadafi em sua tenda
Khadafi se encaixava no perfil de líder autoritário há décadas no poder, mas não era visto como servo do Ocidente ou acusado de não privilegiar os interesses de seu próprio povo.
Ele tinha redistribuído a riqueza, apesar de ser difícil ignorar o enriquecimento de sua própria família com o petróleo do país.
Khadafi também promoveu grandes obras públicas e houve até uma chamada Primavera de Trípoli, na qual foi dado a entender aos exilados que eles poderiam voltar ao país sem o risco de ir para a prisão ou serem perseguidos.
E, quando os primeiros sinais de manifestações começaram no país, Khadafi prometeu protestar junto com o povo.
Mas as primeiras imagens da rebelião no país mostraram jovens líbios em Benghazi em frente a um prédio oficial, destruindo um monumento que simbolizava o Livro Verde de Khadafi.
E, enquanto a rebelião se espalhava, e a gravidade da ameaça ao seu regime ficava cada vez mais aparente, Khadafi mostrou que não tinha perdido nenhuma da brutalidade que mostrou contra dissidentes nas décadas de 70 e 80.
Desta vez, esta brutalidade foi direcionada contra cidades inteiras onde as pessoas ousaram pedir sua saída. As forças regulares do país, com o apoio de mercenários, quase subjugaram os grupos rebeldes, formados por militares desertores e milicianos com pouco treinamento.
Mas, a intervenção da Otan em março, autorizada pela resolução da ONU que pedia a proteção de civis líbios, evitou a aniquilação destes rebeldes. No entanto, eles ainda precisaram de meses para conseguir uma vantagem.
No momento em que este artigo foi escrito, os rebeldes chegaram a Trípoli e o regime de Khadafi parece ter se desintegrado. Mas, o último capítulo de sua carreira política ainda não foi escrito e o final poderá ser imprevisível.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A "guerra ao terror", 10 anos depois

21/08/2011

“Os EUA, como o mundo sabe, nunca começam uma guerra”, dizia John Kennedy em 1963. Vinte anos depois, Ronald Reagan reiterava: “A politica de defesa dos EUA está baseada numa única premissa: os EUA nunca começam um enfrentamento. Nós nunca seremos um agressor.”
A reação aos atentados de setembro de 2001 fizeram com que os EUA mudassem formalmente sua doutrina. Richard Armitage, Secretário de Estado naquele momento, anunciou o que mudava: “A História começa hoje. Decretava-se o fim da doutrina da contenção, enunciada quando os EUA anunciavam o começo da “guerra fria”, recém terminados os armistícios da Segunda Guerra. O Secretario de Defesa, Donald Rumsfeld dizia: “a melhor, e em alguns casos, a única defesa, é uma boa ofensiva”. Indo mais longe na sua nova doutrina de guerra, os EUA passaram a reivindicar o direito ao ataque preventivo, alegando o caráter da guerra informal, contra um inimigo sem território definido.
No marco de um mundo unipolar, com o triunfo absoluto na “guerra fria” e a desaparição da outra super-potência, a Pax Americana já reinava uma década antes. A primeira guerra do Iraque, a guerra da Iugoslávia e outras ações militares – como a fracassada na Somália - prenunciavam que a inquestionável superioridade militar norteamericana reordenaria o mundo conforme seus desígnios.
Dez anos depois, os EUA demonstram que não estão em condições de desenvolver duas guerras simultaneamente, mesmo com uma brutal superioridade militar, contra países virtualmente ocupados. Tanto no Iraque quanto no Afeganistão, a retirada das tropas não dá garantias de controle militar da situação, mesmo ainda com a presença dos EUA, fazendo prever novos adiamentos da retirada do Iraque.
O mundo sob hegemonia imperial norteamericana não é um mundo mais seguro do que antes. A superioridade militar não é garantia de ordem política, como já indicava o velho preceito: Se pode fazer tudo com as baionetas, menos sentar em cima. Essa ilusão tiveram os Estados Unidos. Acreditavam que poderiam envolver o mundo inteiro na sua lógica de represálias contra “o terror” e que a ideologia de militarização dos conflitos seria hegemônica, a ponto de permitir um tranquilo bloco político de apoio.
Se isso se deu no impacto imediato das ações, ainda em 2001, com a invasão do Afeganistão - mesmo sem provas alguma de que dali tinham sido articuladas as ações nos EUA -, a coalizão não resistiu à invasão do Iraque, sem provas e sem a aprovação do Conselho de Segurança. Mas o enfraquecimento das alianças foi efetivamente se dando conforme a guerra se prolongava e os desgastes – financeiros e de baixas – foram se avolumando, incluindo Abu Graieb e Guantanamo.
A estratégia da “guerra ao terror” teve seus ganhos, serviu de álibi para que os EUA consolidassem sua liderança no mundo, ao privilegiar a esfera em que é mais forte – a militar. Mas chegam aos 10 anos desgastados militarmente, enfraquecidos na sua capacidade de liderança política e fragilizados economicamente.
Um balanço duro para quem se erigia como senhor do mundo há uma década. A hegemonia norteamericana entrou em crise, sem que apareça outra força que possa substituí-la. O que se pode vislumbrar no horizonte é um mundo multipolar, que possibilite resolver os conflitos não pelo predomínio militar, mas pelas negociações politicas, em que a “guerra ao terror” possa ser substituída pelo terror à guerra.
Postado por Emir Sader às 12:09

CURRÍCULO

_________________________________________________________________
jorge.antropologia@gmail.com,www.cultsocial.blogspot.com http://obsjesuitas.wordpress.com - http://lattes.cnpq.br/0178720174730762
(21) 7107 3530 (21) 3354 7413; Brasileiro, 37 anos, casado.
Estrada do Frutuoso n° 29 Santa Cruz CEP 23560 -120

1 - Objetivo profissional:

Docência no ensino Médio.

2 - Formação Acadêmica:

Bacharelado e Licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.

3 – Experiência docente:estágios

2006 – Colégio Estadual Júlia Kubtchek . Ensino Médio, Normal – formação de professores. Centro;
2009 – Colégio Estadual João Alfredo. Ensino Médio, Formação regular – tarde e noite. Vila Isabel;
2010 – Colégio Estadual Rodrigo Otávio. Ensino Médio, Formação regular – noite. Ilha do Governador.

4 – Experiência em pesquisas:
2004 – 2006: Arquivo Nacional do Rio de Janeiro: Projeto Casa dos Contos de Ouro Preto. Período colonial e do Império. Utilização de paleografia na Identificação e catalogação de documentos;
2005 – 2006: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro: Projeto Petrobras, Paschoal Segreto. Documentos do inicio do século XX. Utilização de paleografia na Identificação e catalogação;
2007: UFRJ - IPPUR: O Espaço Urbano e a Escola, análise das relações entre o espaço e formação educacional dos alunos. Pesquisas em escolas do ensino fundamental na cidade do Rio de Janeiro.

5 – Participação em congressos, fóruns:

2006 – Fórum Mundial de Educação - “Educação Cidadã para uma Cidade Educadora”. Nova Iguaçu de 23 – 26/03. 30 horas;
2006 – IV Conferência Latino-Americana e Caribenha de Ciências Sociais. CLACSO. UERJ – Rio de Janeiro.
2010 – V colóquio Internacional de Filosofia da Educação: “Devir-criança da filosofia: infância da educação”. UERJ – Campos Maracanã.

6 – Formação complementar:

2010 – Curdo de Práticas Pedagógicas em Educação inclusiva;