UM TOQUE DE CULTURA

Andrea Doria é a mesma coisa de Será:

Um jovem que quer mudar o mundo, porque está tudo horrível. Coloca bem a questão da juventude, ter sonhos, fazer planos e esbarrar neste mundo de hipocrisia, de mentira, do capitalismo, de consumismo. Andrea Doria é um navio que afundou. A idéia era fazer uma imagem meio "E la nave va" [filme do cineasta Frederico Fellini, passado num transatlântico]... Na hora de escolher o título da música, fizemos um monte de mitologias para a coisa ficar legal. E, no caso, Andrea Doria é uma menina. A música é um diálogo entre uma menina que era cheia de vida, alegria e planos, e que sempre me deu força, mas, nesse instante, é quem está derrubada. Têm coisas que ela fala para mim e têm coisas que eu falo para ela — o mundo está horrível, mas nós vamos conseguir, vamos juntos etc. Quando você entra no mundo adulto, se não tomar cuidado, deixa entrar o cinismo, fica jaded [cansado]. E a música é uma conversa em cima disso, e termina justamente falando: "A gente tem toda a sorte do mundo" — sem especificar, porque, bem ou mal, a gente não é favelado, não morre de fome. "Sei que tenho sorte, como sei que tens também".
Renato Russo
[Declaração publicada em 1998 no livro Letra, música e outras conversas, de Leoni]


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