domingo, 29 de julho de 2012

Alguns resumos sobre os conceitos de semitismo, anti-semitismo e sionismo

Semita

Por Antonio Gasparetto Junior

Semita é o termo que designa um conjunto linguístico composto por vários povos.

A origem da palavra Semita está na Bíblia, mais precisamente no livro do Gênesis quando se trata da história de Noé. Nas escrituras judaicas, um dos filhos de Noé era chamado Sem, o que é uma versão grega para o nome hebraico Shem. A derivação do nome de tal filho de Noé, Semita, passou a identificar um conjunto de povos que possuem traços culturais comuns.

Os Semitas tiveram origem no Oriente Médio, onde ocuparam vastas regiões indo do Mar Vermelho até o planalto iraniano. São povos típicos de ambientes com clima seco, o que os caracteriza pelas práticas do pastoreio e do nomadismo. Esses antigos povos identificados pela fala semítica envolvem os arameus, assírios, babilônios, sírios, hebreus, fenícios e caldeus.

O passar do tempo apresentou diversos desafios aos povos semitas, que precisaram migrar em busca de melhores condições ou de sobrevivência. A grande expansão semita no mundo se deu através dos povos árabes em consequência da criação do Islamismo, datando do século VII. O reverenciado profeta muçulmano Maomé conseguiu unir diversas linhagens dos povos árabes em forma pacífica sob os dogmas da religião Islâmica. Com a nova configuração apresentada, esses fiéis se lançaram em conquista de um novo mundo, conquistando regiões da Espanha até o Oceano Pacífico. Todavia o poderio desses povos que marcou um extenso império acabou se subdividindo em diversos estados em razão de conflitos, sobretudo, com cristãos e turcos. Os árabes, em várias ocasiões, acabaram submetidos a outros poderes.

Os Semitas estão intimamente ligados com a origem das três grandes religiões monoteístas no mundo: o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo. A religião judaica nasceu entre os povos hebreus, no Mediterrâneo, durante os conflitos entre cananeus e moabitas. Os judeus também se espalharam pelo mundo muito em razão da invasão dos povos romanos no século I da era cristã. Essa grande dispersão que se deu é reconhecida como a Diáspora Judaica, que resultou na formação de grupos de judeus pelo mundo e no estabelecimento de novos contatos culturais. Assim sendo, as características originais mantiveram-se mais forte apenas entre os grupos que permaneceram no continente asiático.

Além das migrações promovidas pelos islâmicos e pelos judeus, diversas outras também ocorreram entre os povos semitas. Tornou-se impossível falar de um grupo étnico homogêneo, pois a grande movimentação incorreu no encontro entre diversas culturas que originou novas características, como é o caso do grande número de línguas que passaram a compor a família semítica.

Os povos árabes e os hebreus são os que mais se destacam dentro da linhagem Semita, mas, como já dito, diversos outros comungam de uma mesma origem. Esses vários povos passaram por diversos conflitos especialmente com povos de origem européia no decorrer do tempo. O século XIX marcou uma nova fase de expansão colonialista dos europeus, que buscavam fontes de matérias-primas para seus produtos industrializados e zonas de influência que pudessem garantir o consumo de suas produções. Essa ambição marcou-se, sobretudo, com conflitos entre culturas diferenciadas, nos quais os Semitas estavam diretamente envolvidos.

O século XX também foi marcado por muitos conflitos com os povos de origem Semitas, mas também entre eles mesmos, como é o caso dos embates entre árabes e hebreus. A criação do Estado de Israel, após a Segunda Guerra Mundial, gerou um clima de muita instabilidade e confrontos na região do Oriente Médio.

O muito popularmente difundido termo anti-semita é utilizado em muitas ocasiões como sinônimo de condutas ou posturas contra os judeus. Mas, é importante frisar, que, no rigor do termo, denota comportamentos de oposição aos povos remanescentes da origem semítica.

Anti-semitismo

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Por Matheus Mortene
O anti-semitismo é uma forma de hostilizar judeus e árabes, sem nenhum motivo a não ser o ódio, principalmente contra os judeus, cujo termo semita foi criado especialmente para se referir a eles.
No decorrer da história, os perseguidos foram tratados de diferentes formas, nas diferentes épocas: no Mundo Antigo, na Idade Média e nos Tempo Modernos.

No Mundo Antigo, eram tratados com frieza. Os gregos, os romanos e os babilônios queriam impor seu domínio, seu idealismo e seus valores, como culto ao homem e seus tributos físicos aos prazeres mundanos. Eles tentaram expulsar Deus da vida dos judeus, proibindo-os de praticar seus cultos religiosos e até destruindo alguns de seus templos.

Na Idade Média, a Igreja Católica, através das Cruzadas  (primeira grande manifestação do anti-semitismo medieval), e a inquisição foram as maiores patrocinadoras desse profundo ódio e total intolerância aos judeus. Elas queriam impor seus ideais e suas crenças como a única opção entre viver ou morrer ( na fogueira foram queimados volumes de livros sagrados e milhares de judeus perseguidos foram jogados às chamas, assistidos pelo povo, que testemunhava esse ato de crueldade). A Igreja acreditava que eles eram responsáveis pela morte de Jesus Cristo.

Em Tempos Modernos, o anti-semitismo só apareceu a partir do século XIX, junto aos ideais nazistas. O Nazismo, que abraçou a Alemanha e levou multidões ao desejo fanático e insaciável de criar uma “raça pura” movidas pelas idéias de um único homem, Adolf Hittler, que foi capaz de exterminar milhões de judeus, além de negros, ciganos,etc. Mas só a morte não era o bastante. Antes de matá-los, os nazistas os torturavam ao longo dos infinitos corredores da morte, entre o caminho que os levava dos vagões de trem até os campos de concentração, às filas para o banho (câmaras de gás) e às experiências jamais imaginadas por um ser humano que outro ser humano fosse capaz de realizar com seus semelhantes.

Matheus Mortene

O Congresso da Basiléia e suas conseqüências ( sionismo)

Naqueles memoráveis dias de 29 a 31 de agosto do ano de 1897, reuniram-se na cidade suíça às margens do Reno, pela primeira vez depois da destruição do Estado judeu há quase 2.000 anos, 197 representantes de 17 países para participarem do Primeiro Congresso Sionista. Aos congressistas reunidos no centro de convenções, o jornalista e escritor judeu Theodor Herzl falou em seu emocionante discurso:
"Somos um povo. Todos os povos têm uma pátria. Precisamos de uma pátria nacional para nosso povo. Por isso queremos lançar a pedra fundamental para a casa que um dia vai abrigar a nação judaica". Quando terminou seu discurso, Herzl foi entusiasticamente aplaudido. Muitos viam nele um "predestinado por Deus" e outros o novo "rei dos judeus". Muitos chegavam a considerá-lo o Messias.
Ao seu final, o Primeiro Congresso Sionista publicou um manifesto intitulado "O Programa da Basiléia", onde se lê, entre outras coisas, que: "O sionismo almeja para o povo judeu a criação de uma pátria na Palestina com garantias públicas e legais" (naquela época, a terra de Israel, sob domínio turco, era chamada dessa forma).

Três dias mais tarde, em 3 de setembro de 1897, Theodor Herzl escreveu em seu diário: "Se eu resumir o Congresso da Basiléia em uma única frase – que evitarei falar publicamente – ela seria: na Basiléia fundei o Estado judeu. Se hoje eu fosse falar isso em voz alta, uma zombaria universal viria como resposta. Talvez em cinco anos, mas certamente em 50 anos, cada um o verá." Com essas palavras, que soavam utópicas na época, Herzl parecia um verdadeiro profeta de Israel. Inconscientemente ele preparou o caminho para o cumprimento de grandiosas promessas bíblico-proféticas. Por isso, quando Herzl faleceu em 3 de julho de 1904, aos 44 anos de idade, o ideal sionista não morreu, nem desapareceu com ele a idéia de estabelecer outra vez, em terras bíblicas de Israel, um Estado judeu. Pois exatamente 50 anos mais tarde, em 29 de novembro de 1947, as Nações Unidas decidiram repartir a "Palestina", a terra bíblica de Israel, em um Estado judeu e um Estado árabe. Com isso, a fundação ‘de direito’ do Estado de Israel era um fato consumado dentro do direito internacional. Alguns meses mais tarde, em 14 de maio de 1948 (5 de yiar de 5708 segundo o calendário judaico), foi proclamado em Tel Aviv o novo Estado de Israel como continuação do Israel bíblico. Foi o acontecimento do século. Um acontecimento de mais significado e expressão na história mundial, no Plano de Salvação e no contexto dos tempos finais do que a chegada do homem à Lua.


Em 14 de maio de 1948 (5 de yiar de 5708 segundo o calendário judaico), foi proclamado em Tel Aviv o novo Estado de Israel como continuação do Israel bíblico.

É importante refletir sobre as origens bíblicas do sionismo e sua concretização histórica no século passado, bem como questionar seu significado atual e futuro. Pois, para nós cristãos, eles são extraordinariamente importantes em nosso posicionamento em relação aos judeus e ao Estado de Israel.

O que é sionismo?

A palavra "sionismo" não se encontra na Bíblia. Ela foi usada, pela primeira vez, pelo escritor judeu Nathan Birnbaum no ano de 1890 em uma revista hebraica. Apesar disso, o sionismo tem forte base bíblica. Ele é o retorno do povo judeu a Sião cumprindo o propósito divino:

"Assim diz o Senhor Deus: Hei de ajuntá-los no meio dos povos, e os recolherei das terras para onde foram lançados, e lhes darei a terra de Israel" (Ez 11.17).
"...vos levarei a Sião" (Jr 3.14).
"Os resgatados do Senhor voltarão e virão a Sião com cânticos de júbilo; alegria eterna coroará a sua cabeça; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido" (Is 35.10).
"...e habitarão na sua terra" (Jr 23.8).
Deus é, portanto, o verdadeiro motivador do sionismo (bíblico). E Theodor Herzl foi Seu "profeta" na virada do século passado e contribuiu decisivamente para a realização do sionismo. Pois, o sionismo é a volta prometida e desejada por Deus do povo judeu para Sião.

Onde ou o que é Sião?

Segundo a Bíblia, Sião é primeiramente um monte. Ele se encontra em Jerusalém e é o monte do templo. Nele Deus habita (Is 8.18; 18.7). Desde então, o monte é o "axis mundi", o eixo, o centro mais sagrado do mundo.

Em um sentido mais amplo, Sião também é Jerusalém. Deus fundou a cidade como refúgio e pátria para Seu povo escolhido (Is 14.32). Desde então, Seu povo Israel habita ali (Is 10.24; 18.7). Jerusalém é também a cidade do culto a Deus em Israel (Is 33.20a). Nos tempos finais, os exércitos das poderosas nações mundiais vão lutar contra Sião (Is 29.8). Mas o Messias de Deus será o vitorioso e estabelecerá Sua residência em Sião (Is 24.23). Afinal, de Sião sairão a paz, a sabedoria, a justiça e os ensinamentos divinos para toda a humanidade (Is 2.3).

Além disso, Sião também é toda a terra de Israel entre o Mediterrâneo e o Jordão. É a terra de Deus, o visionário centro do povo judeu, o santo ponto de partida e de chegada de todos os caminhos de Deus pelos quais Ele dirige Seu povo e todos os demais povos da terra.


Desde sempre o sionismo legítimo se expressa em amor a Sião. Esse amor é demonstrado no anseio em voltar para a Terra Prometida.

Resumindo: Sião é a expressão de toda a esperança judaica, que aguarda o Messias nestes finais dos tempos e que anseia pelo Seu reinado de paz. Por isso o final do hino nacional de Israel, a "Hatikva" (Esperança), diz: "...em Sião, terra de Jerusalém".

O amor a Sião se torna movimento de libertação

Desde sempre o sionismo legítimo se expressa em amor a Sião. Esse amor é demonstrado no anseio em voltar para a Terra Prometida. Ele é comparável com a espera por Cristo que está voltando. Ambos exprimem confiança e fé nas promessas de Deus. Seu alvo comum é a salvação plena.

O sionismo sempre encontrou sua forma visível nos movimentos de libertação nacional do povo judeu. Quando os judeus, há 2.500 anos, foram expulsos de sua terra pela primeira vez, e choraram às margens dos rios da Babilônia e, em oração e na prática, buscaram caminhos e meios de voltarem para sua pátria, começou o movimento sionista.

O hino desses primeiros sionistas está gravado no Salmo 137.1-6: "Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Como, porém, haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha? Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita. Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria."

Quando os judeus, depois de um levante maciço contra o exílio, voltaram para a terra de seus antepassados, reconstruíram o templo e restabeleceram o seu país, isso foi sionismo posto em prática.

Em 132 d.C., quando [os judeus] se desvencilharam das forças de ocupação romanas pela última vez, na rebelião de Bar Kochba, e fundaram um novo Estado judeu, isso foi sionismo autêntico.

Quando, em 1882, os olim (imigrantes) começaram a regressar a Sião em dezenas e até centenas de milhares nos grandes movimentos de imigração (aliá), vindos principalmente de países árabes, africanos e asiáticos, e quando lutaram contra a resistência de turcos, ingleses, nazistas e árabes, voltando a Sião, isso foi sionismo dentro da vontade de Deus.

Quando, desde 1990, mais de 650.000 judeus dos países ex-comunistas e, a partir de 1991, mais de 140.000 judeus etíopes, os assim chamados "filhos de Salomão" (falashas), vieram a Israel em meio a grandes aventuras pelo caminho, isso foi sionismo messiânico, mesmo que cada regresso a Sião tenha tido sempre um componente político.

O sionismo não está morto


"Assim diz o Senhor Deus, que congrega os dispersos de Israel: Ainda congregarei outros aos que já se acham reunidos."

E esse sionismo continua. Pois ele é parte integrante e muito especial do plano divino no final dos tempos e de toda a história da salvação. Muitas pessoas, inclusive cristãs, afirmam que o sionismo está morto. Dizem que as promessas de Deus abrangem também uma terra (biblicamente, "montes de Israel") que pertence aos palestinos. Mas o firme propósito de Deus continua de pé e é muito explícito em relação à continuidade do sionismo: "Assim diz o Senhor Deus, que congrega os dispersos de Israel: Ainda congregarei outros aos que já se acham reunidos" (Is 56.8). Isso significa que os judeus que ainda se encontram espalhados pelos países do mundo também voltarão a Israel.

É por isso que a saudade por Sião, o anelo por Sião, é tão vívido no coração e na mente de todo judeu religioso. Quando vai comer, agradece pela comida e, ao mesmo tempo, pela terra que Deus deu a seus antepassados; agradece pela terra de Israel. No início de cada novo dia, ele ora a Deus e pede misericórdia para com Jerusalém, Sião, a morada de Sua glória, e, que os judeus possam voltar incólumes para sua terra.

Quando um judeu clama por chuva em Nova Iorque, Moscou ou Berlim, isso acontece na época em que os campos da Judéia precisam de água. Quando o judeu se rejubila nas festas de ação de graças, ele o faz na época em que se colhem os primeiros frutos em Israel. Em um casamento judeu, o noivo esmigalha uma taça com os pés, simbolizando que nenhuma alegria sobre a terra pode ser perfeita enquanto Sião não tiver ressurgido. E o ponto culminante de cada festa de pessah (páscoa) é a oração repetida todos os anos: "No próximo ano em Jerusalém!"

Por detrás dessa nostalgia por Jerusalém, por Sião, esconde-se uma saudade profunda e um anseio por Deus, pelo Messias, pela salvação de Israel.

Assim a saudade por Sião e a volta a Sião sempre têm traços messiânicos. Elas têm relação com o Salvador, o Messias. E é por isso, que todo judeu religioso ora a Deus três vezes ao dia: "Que nossos olhos vejam quando voltares a Sião!"

O que são sionistas cristãos?

Sionistas cristãos são pessoas:

que crêem no Senhor Jesus Cristo.
que têm raízes espirituais inseparavelmente ligadas com o povo de Israel.
que promovem e incentivam a volta do povo judeu a Sião com todos os meios disponíveis (oração, recursos, diálogo).
que amam e visitam Jerusalém e a terra de Israel (Sião), para aprofundarem a sua fé e sua relação com Israel.
que se empenham pelo direito à existência do povo e da terra de Israel entre o Mediterrâneo e o Jordão e que demonstram amor e solidariedade para com pessoas judias (Is 62.1ss).
que usam a estrela de Davi como sinal de reconhecimento e solidariedade para com Israel.
Estes sionistas cristãos são os únicos amigos autênticos de Israel!

Somos desafiados hoje a nos posicionarmos de maneira inequívoca ao lado da vontade de Deus e de Seu plano, e de sermos fiéis a Israel, Seu povo escolhido – até que, de Sião, venha o Messias e Salvador: Jesus Cristo!

Então "...o Senhor ainda consolará a Sião!" (Zc 1.17). (Fritz May - Christen für Israel, 9-10/97 - http://www.chamada.com.br)





Sionismo

Theodor Herzl (1860 – 1904), Fundador do Sionismo Moderno
O Sionismo é um movimento político e filosófico que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel (Eretz Israel).
O Sionismo é também chamado de nacionalismo judaico e historicamente se propõe à erradicação da Diáspora Judaica com o retorno da totalidade dos judeus ao atual Estado de Israel.

Terminologia

O termo “Sionismo” é derivado da palavra “Sion” (em hebraico: ציון), que em hebraico quer dizer elevado.Originalmente, Sião ou Sion era o nome de uma das colinas que cercam a Cidade Santa, onde existiu uma fortaleza de mesmo nome. Durante o reinado de David, “Sião” se tornou um sinônimo de Jerusalém ou da Terra de Israel. Em inúmeras passagens bíblicas, o povo israelita é chamado de “filhos (ou filhas) de Sião”.
No Livro de Isaias, o nome de Sião figura diversas vezes como equivalente para todo aquele que crê no Deus de Israel: Por amor de Sião não me calarei, e por amor de Jerusalém não me aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação como uma tocha acesa (Isaias, 62-1).

História do Sionismo

O chamado “Sionismo Moderno” se articulou e se desenvolveu especialmente a partir da segunda metade do século XIX, em especial entre os judeus da Europa Central e do Leste Europeu, que viviam sob a pressão das perseguições e massacres sistemáticos provocados pelo antissemitismo crônico destas regiões.
O século XIX foi uma época de irrupções nacionalistas em todo mundo. Gregos, italianos, poloneses, alemães e sul-americanos, entre outras nações, estabeleceram seus movimentos nacionais em busca de singularidade política, étnica e cultural. Seguindo estes modelos, o Sionismo foi o mais recente dos processos de renascença nacional a despertar na Europa.
O Sionismo também pode ser considerado como uma reação ao crescente assimilacionismo provocado pela integração dos judeus da Europa Central aos povos e comunidades onde se encontravam estabelecidos, solapando (segundo os críticos) as bases culturais e religiosas fundamentais do Judaísmo tradicional.
O uso do termo “Sionismo” surgiu durante um debate em público realizado na cidade de Viena, na noite de 23 de janeiro de 1892, cunhado por Nathan Birnbaum, um escritor judeu local que fundara em 1885 a revista “Selbstemanzipation!” (Autodeterminação!) [1]. No entanto, o assim chamado “Pai do Sionismo” foi o jornalista e escritor austríaco Theodor Herzl, autor do livro “Der Judenstaat” (O Estado Judeu).

Precedentes do Sionismo

São considerados precedentes do Sionismo (ou “Protossionistas”) alguns pensadores e religiosos judeus que expressaram em obras escritas o desejo ancestral do povo judeu em retornar às suas raízes históricas através da volta para sua terra de origem. Por outro lado, o nacionalismo judaico é decorrência direta dos diversos movimentos nacionalistas que surgiram no Ocidente a partir do Iluminismo e das revoluções Francesa e Americana.
Os primeiros protossionistas foram membros do clero judaico, como os rabinos Judá Alkalai; Naftali Berlin (o “HaNatziv”); Tzvi Kalisher; Samuel Mohiliver e Isaac Jacob Reines.
Pela narrativa religiosa e tradicional, o Sionismo surgiria logo após a Queda do Segundo Templo e a consequente expulsão da maioria dos judeus dos territórios do antigo Reino de Israel, entre os anos 66 e 135 d.C. A oração “no ano que vem, em Jerusalém”, recitada todo os anos durante o Pessach, expressa esta vontade, transmitida através das gerações, de retorno à Terra de Israel como condição precípua para a vinda do Messias e do estabelecimento de uma nova ordem, onde as esferas sagrada e terrena passariam a conviver em um único plano.
A “Nostalgia de Sião” se manifestou claramente nos discursos de diversos místicos judeus surgidos ao longo dos séculos de duração da Diáspora, desde David Alroy (“falso messias”), no século XII, até Sabbatai Zevi, no século XVII, passando pelos poemas de Yehudah Halevi e por uma infinidade de místicos.
No século XIX, o britânico George Eliot publica o romance “Daniel Deronda” (1876), que descreve a vida de um homem que se dedica à busca da criação de um centro nacional para os judeus. Mas seriam Leon Pinsker, médico polonês e Moses Hess, escritor alemão, aqueles que mais se celebrizariam como os precursores do Sionismo naquele século.
O Caso Dreyfus como impulso
Ao final do século XIX os judeus que detinham uma condição social um pouco mais elevada (em geral os habitantes dos países da Europa Ocidental) julgavam-se mais seguros contra as perseguições antissemitas que vitimavam os judeus do Leste, mais arraigados às tradições, pois encontravam-se plenamente inseridos nas sociedades maiores. Estes judeus pouco diferiam no sentido cultural de seus vizinhos cristãos e muitos abandonavam as práticas religiosas ou se convertiam ao cristianismo como forma de selar o processo de completa assimilação. Entre estes judeus encontrava-se Theodor Herzl, um advogado nascido em Budapeste e que em sua juventude chegou a pedir em carta ao Papa que ajudasse os judeus de toda a Europa a se converterem coletivamente ao catolicismo.
Herzl passou a assinar matérias e artigos na imprensa alemã a partir do final da década de 1880 e graças a isso recebeu um convite para se tornar correspondente do jornal "Neue Freie Presse" em Paris, onde cobriu o julgamento do militar Alfred Dreyfus. Dreyfus era um oficial judeu do Exército Francês acusado injustamente de espionar em favor dos alemães. Ao testemunhar a série de fraudes engendradas por elementos da oficialidade francesa para culpar Dreyfus com alegações antissemitas, Theodor Herzl se deu conta de que nem a assimilação em meio a culturas aparentemente “superiores” seria capaz de livrar os judeus da discriminação.
Com base nestas reflexões e aproveitando-se do pensamento de outras pessoas, Herzl escreve em 1895 sua principal obra, "Der Judenstaat – Versuch Einer Modernen Lösung der Judenfrage" (“O Estado Judeu – Uma Solução Moderna para a Questão Judaica”), onde preconiza a necessidade da reconstrução da soberania nacional dos judeus dispersos em um Estado próprio[2].
Em "O Estado Judeu", seu autor descreve de forma romanceada suas visões de como tornar possível a construção de uma futura nação judaica, discorrendo sobre imigração, compra de terras, edificações, leis, idioma etc. Muitas das visões de Herzl serviriam de inspiração para os primeiros legisladores do futuro Estado de Israel.

O Congresso Sionista

O livro de Herzl foi bem recebido pela maior parte dos judeus europeus que compartilhavam dos mesmos ideais. Com o intuito de aglutinar as diversas tendências nacionalistas judaicas, Herzl organizou o Primeiro Congresso Sionista, realizado na cidade suíça de Basiléia, em 29 de agosto de 1897. Segundo seus criadores, o Congresso tinha como propósito de demonstrar ao mundo "o que é o Sionismo e o que ele pretende". O Congresso foi criado também para unir todos os sionistas sob uma só organização.
O 1º Congresso Sionista deveria ter se realizado em Munique, na Alemanha. Contudo, líderes religiosos da comunidade judaica local se opuseram à iniciativa, por temerem uma exposição excessiva e uma possível retaliação antissemita. Ao congresso de Basiléia compareceram cerca de 200 participantes. As maiores realizações do Congresso foram a formulação da plataforma sionista, conhecida como “Programa de Basiléia”, e a fundação da Organização Sionista Mundial, sob a presidência de Herzl. Nesta reunião, discutiu-se onde se deveria instalar o Estado Judeu, dividindo-se os congressistas entre a Palestina Otomana ou algum território desabitado cedido aos sionistas[3], como a ilha de Chipre, a Patagônia e até em alguma das colônias europeias na África, como o Congo ou Uganda. Venceram os partidários da Palestina, com o argumento de que aquela era a região de origem de toda identidade judaica na Antiguidade[4]. Em seu diário, Herzl escreveu: "Se eu tivesse que resumir o Congresso de Basiléia numa só frase, ela seria: ‘na Basiléia eu fundei o Estado Judeu’. Se eu dissesse isto hoje, seria objeto de risos universais; mas em cinco anos, talvez em cinquenta, todos o verão".
Seriam realizados 21 Congressos Sionistas até a eclosão da Segunda Guerra Mundial.

Oposição judaica ao Sionismo

Segundo alguns autores, a intenção de imigrar e viver na Palestina seria algo distante das intenções reais da maioria dos judeus, estando presente apenas enquanto referência religiosa. Abraham Leon escreve em 1942 que "durante o tempo que o judaísmo ficou incorporado ao sistema feudal, o 'sonho de Sião' não foi precisamente mais que um sonho e não correspondia a nenhum interesse real (...). O taberneiro ou o 'granjeiro' judeu da Polônia do século XVI pensava em retornar à Palestina tanto quanto o milionário judeu da América de hoje."[5]
A tese do retorno ao lugar de origem ganhou a grande maioria dos adeptos por ter forte apelo religioso, baseado na redenção do povo de Israel e na “Terra Prometida”. Por outro lado, outras correntes religiosas (em especial as fundamentalistas) a consideravam uma compulsão heroica e sentimental, e alguns até a reprovavam duramente, alegando que esta “redenção” deveria vir obrigatoriamente pela “obra de Deus” e não de ações políticas. Outros judeus a não aderir ao Sionismo foram os adeptos do budismo. No entanto, tais visões foram se tornando gradativamente minoritárias e isoladas com o passar dos anos e o crescimento da Organização Sionista.
Nos dias atuais, a oposição judaica ao Sionismo está restrita a alguns membros de seitas religiosas, como os haredim do Neturei Karta, Satmer e Edá Hacharedit, bem com aos adeptos de ideologias internacionalistas de esquerda.

A Palestina e a Terra de Israel

A região da Palestina, onde historicamente existiu uma pátria judaica, encontrava-se desde o ano de 638 sob o jugo árabe muçulmano. A partir de 1517, o Império Turco-Otomano incorpora aquelas terras, tornando-se a Palestina uma província turca, status que duraria até o início do século XX. A presença dos judeus na região permaneceu ininterrupta por todo este período, embora em condição de minoria. Em algumas cidades, como Hebron e Safed, a presença das comunidades judaicas se fazia mais numerosa e importante, convivendo em relativa paz com a maioria muçulmana.
Havia também a tradição judaica de migrar para a Palestina para lá morrer e ser sepultado, ou para estudos religiosos nas diversas yeshivot instaladas na região. Estas escolas de formação rabínica recebiam recursos doados por organizações filantrópicas, mas na segunda metade do século XIX, algumas destas organizações, como a Aliança Israelita Universal, passaram a investir na fundação de cidades e fazendas coletivas, dentro de um espírito socialista e secular. Assim Mikveh Israel foi fundada em 1870, seguida por Petah Tikva (1878), Rishon LeZion (1882) e outras comunidades agrícolas fundadas pelas sociedades Bilu e Hovevei Zion.
Mas com a primeira grande leva de imigrantes judeus chegados à Palestina, a partir de 1881, a demografia na Palestina começou a sofrer a sua primeira grande mudança em séculos. Estas ondas (chamadas de aliot), oriundas principalmente do Império Russo e do Iêmen, acabaram por gerar mais comunidades agrícolas e cidades[6][7]. Estas primeiras aliot independentes serviriam de modelo para as imigrações que viriam nos anos seguintes, já sob o estímulo da Organização Sionista de Herzl.
Até meados do século XIX, a população total da Palestina registrava um decréscimo lento. Mas as migrações judaicas inverteram este quadro, e no raiar do século XX a região registrou o primeiro aumento demográfico em séculos. A população de judeus chegou a 10% do total antes de 1909, quando foi fundada a cidade de Tel Aviv, a primeira urbe exclusivamente judaica desde a Antiguidade.
O estabelecimento dos primeiros olim em terras palestinas se deu em zonas desabitadas, adquiridas com recursos doados por subscrições públicas ou por grandes filantropos europeus. O mais célebre destes foi o barão Edmond de Rothschild, que sozinho doou recursos para a aquisição de 125 mil acres (ou 22,36 km²) de terras.
No entanto, uma nova onda de perseguições antissemitas ocorrida na Rússia fez crescer o número de olim. Em abril de 1903 o Pogrom de Kishinev vitimou dezenas de judeus[8] e evidenciou para os sobreviventes a necessidade de buscar a autodeterminação em um ambiente democrático.

As divisões do Sionismo

O Sionismo Socialista

A partir do Segundo Congresso Sionista, realizado em 1898, surgiram os Sionistas Socialistas, inicialmente um grupo minoritário, em sua maioria oriunda da Rússia, mas que exigiu representação na Organização Sionista Mundial. A presença dos sionistas socialistas seria cada vez maior, chegando à maioria dos delegados a partir de do 18º Congresso, realizado em Praga, em 1933. Os sionistas socialistas formariam o principal núcleo político dos fundadores do Estado de Israel, gerando futuros líderes como David Ben-Gurion, Moshe Dayan, Golda Meir, Yitzhak Rabin e Shimon Peres.
Alguns pensadores fundamentais para o conhecimento do sionismo socialista são Dov Ber Borochov e Aaron David Gordon. Ambos, porém, encontram em Moses Hess uma origem da combinação de um estado judeu e socialista.
Diferentemente dos primeiros sionistas reunidos por Herzl, os sionistas socialistas não acreditavam que o Estado Judaico seria criado apelando à comunidade internacional, mas através da luta de classes e dos esforços da classe trabalhadora judaica na Palestina. Os socialistas pregavam o estabelecimento dos kibbutzim (fazendas coletivas) no campo e de um proletariado nas grandes cidades.

O Sionismo Político

A cisão da Organização Sionista pelos socialistas provocou a formação de um segundo bloco, a que se chamou de “Sionistas Políticos”, que tal como Herzl e também Chaim Weizmann, preconizavam a independência do Estado Judeu pela via diplomática. Em busca disso, o próprio Herzl encontrou-se com o Kaiser Guilherme II da Alemanha e com o Sultão Abdul Hamid II da Turquia, com os quais pediu o apoio de seus países para o estabelecimento do Estado Judeu na Palestina. Após a morte de Theodor Herzl, em 1904, e com o fracasso de uma solução negociada para a independência do Estado Judeu, o Sionismo Político foi perdendo importância dentro da Organização Sionista.

O Sionismo Revisionista

Os maiores opositores dos sionistas socialistas seriam os Sionistas Revisionistas, que surgiram em 1925, liderados por Vladimir Ze'ev Jabotinsky, um filósofo liberal que pretendia reviver na Organização Sionista “o espírito e a doutrina verdadeiramente herzlianos”[9].
Para os sionistas revisionistas, o Estado Judeu só seria viabilizado com a organização dos judeus em frentes paramilitares que combatessem, simultaneamente, a presença britânica na Palestina (a partir de 1917) e a resistência armada dos árabes muçulmanos da Palestina, que vinham atacando pessoas e propriedades dos sionistas. Os revisionistas também combatiam os socialistas, pois pregavam uma ideologia liberal-democrática (contrária ao marxismo) dentro da Organização Sionista e a defendiam para o futuro Estado Judeu.

O Sionismo Religioso

Pensadores sionistas

São conhecidos por esse nome personalidades que, com suas obras e artigos colaboraram com a estruturação do Sionismo como ideologia de formação de um Estado Judeu nos mais diferentes formatos. Além disso, os pensadores sionistas serviram (e servem) como eixo orientador das comunidades ao redor do mundo, e como referências para seus seguidores. Isso não descarta a importância de autores como Leon Pinsker, considerado um pré-sionista.
Diversas correntes de pensamento são importantes para a compreensão do Sionismo atual. Achad Haam, por exemplo, foi o criador de uma visão peculiar do Sionismo, mas que é intimamente ligada aos dias atuais. Há ainda Rav Kook, com o sionismo religioso.
Relativamente às criticas dirigidas ao Sionismo, de que seria um movimento de cunho racista, seus defensores defendem-se alegando que o Sionismo não é doutrinariamente unificado e coeso, possuindo diversas versões divergentes umas das outras. Além disso, alguns também discordam afirmando que palestinos e judeus não são racialmente distintos, e assim não se aplicaria o termo já que a discriminação não se funda na raça.

Alguns resumos sobre os conceitos de absolutismo, liberalismo, neoliberalismo e consumismo

ABSOLUTISMO - LIBERALISMO - NEOLIBERALISMO - CONSUMISMO

ABSOLUTISMO 1

   Nos fins da Idade Média, a situação política da Europa passou por importantes transformações. A ascensão da burguesia trouxe a necessidade de se eliminar as autoridades e cobranças locais. Em seu lugar, um monarca teria a função de padronizar as políticas fiscais e monetárias de um mesmo território. Ao mesmo tempo, os grandes proprietários de terra se sentiam ameaçados pelas revoltas camponesas que ameaçavam seu antigo poderio político.
   Nesse contexto, os monarcas se fortaleciam a partir do expresso apoio dado por nobres e burgueses. Por um lado, a burguesia pagava impostos para o financiamento de exércitos capazes de impor a autoridade real e fixar os impostos e moedas utilizadas em um mesmo território. Por outro, os senhores feudais abriam mão de sua influência política local para que o monarca assumisse a função de preservar as terras e privilégios da classe nobiliárquica.
   Mediante essas mudanças de natureza política, observamos que alguns intelectuais se ocuparam de pensar as justificativas que explicassem a existência de um rei poderoso. Um dos primeiros a assumir essa tarefa foi o italiano Nicolau Maquiavel (1469 – 1527), que formulou vários conselhos que pensavam sobre o comportamento da autoridade real. Nesse sentido, ele apontou que as ações políticas deveriam estar apartadas dos valores morais vigentes.
   Algumas décadas mais tarde, o inglês Thomas Hobbes (1588 – 1679) indicou que o governo centralizado nas mãos do monarca era uma ação necessária. Em sua opinião, a ausência de um governo forte abria caminho para que o “estado de natureza” do homem fosse dominante. Nesse sentido, o rei e a sua autoridade suprema evitariam a desordem e o egoísmo que marcavam a ação humana desprovida de limites. Afinal de contas, estando em liberdade, o “homem era lobo do homem”.
   Além de tais justificações teóricas, existiam aqueles teóricos que se valiam de argumentos de ordem religiosa. Homens como Jean Jacques Bossuet (1627 – 1704) e Jean Bodin (1530 – 1596) acreditavam que a presença de um rei soberano manifestava as vontades de Deus. Com isso, o poder real seria a representação do poder divino na terra. Em uma época ainda marcada por forte sentimento religioso, os súditos não deveriam correr o risco de desagradar a Deus ao não seguirem as determinações reais.
   Elaborado desde os fins da Idade Média, o absolutismo predominou no continente europeu até o século XVIII. Nessa época, a disseminação dos valores iluministas e o advento da Revolução Francesa, refutaram a existência de uma estrutura de poder centralizada e assentada em justificativas religiosas. A partir daquele momento, o absolutismo perdeu seu espaço e ficou conhecido como o “Antigo Regime”.

Por Rainer Sousa Graduado em Hisória
Equipe Brasil Escola

ABSOLUTISMO 2

   A partir da Baixa Idade Média, o cenário político europeu sofreu transformações que romperam com o caráter local que o poder assumia durante o auge das relações feudais. O aparecimento de novos grupos sociais e as crises que se desenvolveram nesse mesmo período abriram caminho para um gradual processo de centralização política que ampliou o papel exercido pela autoridade monárquica.        Antes disso, os senhores feudais tinham uma autonomia que fazia com que os reis fossem meras figuras decorativas.
   Para que pudessem reafirmar seu poderio, muitos reis contaram com o expresso apoio da burguesia local, que tinha uma série de interesses por de trás da ascensão do regime absolutista. Com a presença de um Estado centralizado, seria possível implementar uma série de padrões monetários e fiscais que permitiriam a ampliação das atividades comerciais. Além disso, a formação de exércitos também viabilizaria uma situação mais segura para que os deslocamentos comerciais fossem realizados.
   Na medida em que a autoridade do rei ganhou força, diversos pensadores surgiram e passaram a refletir sobre esse novo tipo de experiência. Muitos desses intelectuais concordavam com a existência de um rei que estivesse acima do restante da população. Entre estes, podemos citar pensadores como Nicolau Maquiavel, Thomas Hobbes e Jacques Bossuet. Dessa maneira, o regime absolutista passou a ganhar respaldo científico necessário para que as monarquias européias tivessem seu poderio legitimado.
   Segundo o pensamento absolutista, o rei deve ter a capacidade de equilibrar devidamente suas ações mediante a constante necessidade de se fortalecer o Estado e, ao mesmo tempo, obter o reconhecimento do poder por ele exercido. Sob tal aspecto, as doutrinas absolutistas acreditam que o monarca deve habilmente distinguir a moral das “razões do Estado” para que pudesse alcançar seus objetivos.
   Outro tipo de justificativa que também marca o absolutismo trata das condições históricas que legitimavam esse tipo de governo. Segundo as teorias de Hobbes, a falta de uma instituição que pudesse mediar os possíveis conflitos entre os homens, poderia levar uma determinada sociedade à sua própria ruína. Dessa forma, o Estado deveria organizar uma espécie de “contrato social” que pudesse limitar os direitos do indivíduo em favor do bem de toda a sociedade.
   Sendo uma teoria política condizente com seu tempo, o absolutismo também buscou justificativas de natureza religiosa para defender a necessidade de um organismo político centralizado. Sob tal aspecto, o “direito divino dos reis” dizia que a ascensão do monarca ao trono condizia com a manifestação de uma vontade de Deus. Dessa forma, quando os súditos iam contra as leis e ordens estabelecidas pelo rei, cometiam uma ofensa contra desígnios de natureza sagrada.
   Historicamente, o absolutismo viveu seu auge durante os três primeiros séculos da era moderna. Ao chegarmos ao século XVIII, as doutrinas estabelecidas pelo pensamento liberal e as diversas crises do poder monárquico foram responsáveis pela queda do absolutismo dentro da Europa. Para exemplificar tal mudança, podemos apontar a Revolução Francesa, em 1789, como um dos mais expressivos episódios que deflagram a queda do absolutismo.

Por Rainer Gonçalves Sousa
MundoEducação

LIBERALISMO 1

   Saiba o que é liberalismo, neoliberalismo, origem do pensamento liberal, história, definição, idéias
Definição

    Liberalismo pode ser definido como um conjunto de princípios e teorias políticas, que apresenta como ponto principal a defesa da liberdade política e econômica. Neste sentido, os liberais são contrários ao forte controle do Estado na economia e na vida das pessoas.
   O pensamento liberal teve sua origem no século XVII, através dos trabalhos sobre política publicados pelo filósofo inglês John Locke. Já no século XVIII, o liberalismo econômico ganhou força com as idéias defendidas pelo filósofo e economista escocês Adam Smith.

   Podemos citar como princípios básicos do liberalismo:

- Defesa da propriedade privada;
- Liberdade econômica (livre mercado);
- Mínima participação do Estado nos assuntos econômicos da nação (governo limitado);
- Igualdade perante a lei (estado de direito);
Na década de 1970 surgiu o neoliberalismo, que é a aplicação dos princípios liberais numa realidade econômica pautada pela globalização e por novos paradigmas do capitalismo.

NEOLIBERALISMO

O que é neoliberalismo, características da economia neoliberal, críticas, origem,

liberdade econômica, privatizações, pontos positivos, neoliberalismo e globalização, principais teóricos
Introdução

   Podemos definir o neoliberalismo como um conjunto de ideias políticas e econômicas capitalistas que defende a não participação do estado na economia. De acordo com esta doutrina, deve haver total liberdade de comércio (livre mercado), pois este princípio garante o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país.
   Surgiu na década de 1970, através da Escola Monetarista do economista Milton Friedman, como uma solução para a crise que atingiu a economia mundial em 1973, provocada pelo aumento excessivo no preço do petróleo. (Escola de Chicago)


Características do Neoliberalismo (princípios básicos):

-           mínima participação estatal nos rumos da economia de um país;
-           pouca intervenção do governo no mercado de trabalho;
-           política de privatização de empresas estatais;
-           livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização;
-           abertura da economia para a entrada de multinacionais;
-           adoção de medidas contra o protecionismo econômico;
-           desburocratização do estado: leis e regras econômicas mais simplificadas para facilitar o funcionamento das atividades econômicas;
-           diminuição do tamanho do estado, tornando-o mais eficiente;
-             posição contrária aos impostos e tributos excessivos;
-           aumento da produção, como objetivo básico para atingir o desenvolvimento econômico;
-           contra o controle de preços dos produtos e serviços por parte do estado, ou seja, a lei da oferta e demanda é suficiente para regular os preços;
-           a base da economia deve ser formada por empresas privadas;
-           defesa dos princípios econômicos do capitalismo.

Críticas ao neoliberalismo

    Os críticos ao sistema afirmam que a economia neoliberal só beneficia as grandes potências econômicas e as empresas multinacionais. Os países pobres ou em processo de desenvolvimento (Brasil, por exemplo) sofrem com os resultados de uma política neoliberal. Nestes países, são apontadas como causas do neoliberalismo: desemprego, baixos salários, aumento das diferenças sociais e dependência do capital internacional.

Pontos positivos

   Os defensores do neoliberalismo acreditam que este sistema é capaz de proporcionar o desenvolvimento econômico e social de um país. Defendem que o neoliberalismo deixa a economia mais competitiva, proporciona o desenvolvimento tecnológico e, através da livre concorrência, faz os preços e a inflação caírem.

   Exemplos de governos que adotaram políticas econômicas neoliberais nos últimos anos:

- No Brasil: Fernando Collor de Melo (1990 - 1992) e Fernando Henrique Cardoso (1995 - 2003)
- No Chile: Eduardo Frei (1994 - 2000), Ricardo Lagos (2000 - 2006) e Michelle Bachelet (2006 - 2010)
- Nos Estados Unidos: Ronald Reagan (1981 - 1989), George Bush (1989 - 1993) e George W. Bush (2001- 2009)
- No México: Vicente Fox Quesada (2000 - 2006)
- No Reino Unido: Margaret Thatcher (1979 - 1990)
Principais teóricos do Neoliberalismo:
- Friedrich Hayek (Escola Austríaca)
- Leopold von Wiese
- Ludwig von Mises
- Milton Friedman (Escola Monetarista, Escola de Chicago)

LIBERALISMO 2

   A teoria do liberalismo econômico surgiu no contexto do fim do mercantilismo, período em que era necessário estabelecer novos paradigmas, já que o capitalismo estava se firmando cada vez mais. A ideia central do liberalismo econômico é a defesa da emancipação da economia de qualquer dogma externo a ela mesma, ou seja, a eliminação de interferências provenientes de qualquer meio na economia.
   Tal teoria surgiu no final do século XVIII, tendo em François Quesnay um dos seus principais teóricos. Quesnay afirmava que a verdadeira atividade produtiva estava inserida na agricultura. Outro pensador que contribuiu para o desenvolvimento da teoria do liberalismo econômico foi Vincent de Gournay, o qual dizia que as atividades comerciais e industriais deveriam usufruir de liberdade, para assim se desenvolverem e alcançarem a acumulação de capitais.
   No entanto, o principal teórico e pai da teoria do liberalismo econômico foi Adam Smith. O economista escocês confrontou as ideias de Quesnay e Gournay, afirmando em seu livro “A Riqueza das Nações” as principais ideias do liberalismo econômico: a prosperidade econômica e a acumulação de riquezas não são concebidas através da atividade rural e nem comercial, mas sim através do trabalho livre, sem nenhum agente regulador ou interventor.
   Para Smith, não eram necessárias intervenções na economia, visto que o próprio mercado dispunha de mecanismos próprios de regulação da mesma: a chamada “mão invisível”, que seria responsável por trazer benefícios para toda a sociedade, além de promover a evolução generalizada. Os liberalistas defendem a livre concorrência e a lei da oferta e da procura. Estes teóricos foram os primeiros a tratar a economia como ciência.

CONSUMISMO 1

   Consumismo é o ato de comprar produtos e/ou serviços sem necessidade e consciência. É compulsivo, descontrolado e que se deixa influenciar pelo marketing das empresas que comercializam tais produtos e serviços. É também uma característica do capitalismo e da sociedade moderna rotulada como “a sociedade de consumo”.
   O consumista diferencia-se em grande escala do consumidor, pois este compra produtos e serviços necessários para sua vida enquanto aquele compra muito além daquilo de que precisa.
   O consumismo tem origens emocionais, sociais, financeiras e psicológicas que juntas levam as pessoas a gastarem o que podem e o que não podem com a necessidade de suprir a indiferença social, a falta de recursos financeiros, a baixa autoestima, a perturbação emocional e outros.
   As consequências ruins ao consumista são: processos de alienação, exploração no trabalho, multiplicação de supérfluos (que contribuem para o processo de degradação das relações sociais e entre sociedades) e a oneomania (que é um distúrbio caracterizado pela compulsão de gastar dinheiro. É mais comum nas mulheres, tomando uma proporção de quatro por um). Além disso, o meio ambiente também sofre com este “mal do século”, pois o aumento desenfreado do consumo incentiva o desperdício e a grande quantidade de lixo.

Por Gabriela Cabral
Equipe Brasil Escola.com

CONSUMISMO 2

Por Ana Lucia Santana

    O consumismo  é uma compulsão que leva o indivíduo a comprar de forma ilimitada e sem necessidade bens, mercadorias e/ou serviços. Ele se deixa influenciar excessivamente pela mídia, o que é comum em um sistema dominado pelas preocupações de ordem material, na qual os apelos do capitalismo calam fundo na mente humana. Não é à toa que o universo contemporâneo no qual habitamos é conhecido como “sociedade de consumo”. Depois da Revolução Industrial, que possibilitou o aumento da escala de produção e incrementou o volume de mercadorias em circulação, o mundo se modificou profundamente. Com a industrialização veio o desenvolvimento econômico nos moldes do liberalismo e o consumismo alienado, ou seja, é como se as mercadorias fossem entidades abstratas e autônomas, independentes dos esforços humanos. Porque agora o homem não consome mais, como outrora, os produtos que ele mesmo elabora. Ele se encontra apartado dos frutos de seu próprio trabalho.
   O consumista não age como o consumidor, que compra as mercadorias e os serviços de que necessita para sua existência, já aquele está sempre atravessando as fronteiras da necessidade e tocando as margens do supérfluo. Ele atua muitas vezes movido por distúrbios emocionais e psicológicos, ou por motivações sócio-econômicas, como uma espécie de compensação pela frieza do convívio social, pela carência financeira, por uma auto-estima deteriorada, e por tantas outras razões. O resultado dessa atitude impulsiva é geralmente o endividamento crescente, então o indivíduo assume uma sobrecarga de trabalho, na tentativa de eliminar as dívidas, consequentemente é submetido a um regime de exploração no trabalho, novamente se vê emocionalmente frágil e se torna propenso de novo ao consumismo feroz. Como se percebe, cria-se um círculo vicioso, do qual somente com muito esforço e um eficaz tratamento terapêutico o sujeito pode se libertar.
   Além do mais, o acúmulo cada vez maior de supérfluos leva nossa sociedade a uma deterioração dos hábitos e dos valores, pois as pessoas se tornam gradualmente escravas do materialismo, em detrimento do caráter espiritual da vida. As próprias relações sociais se desvalorizam diante da valia crescente das mercadorias, na verdade até mesmo os relacionamentos se submetem a critérios materiais. O consumismo pode provocar também uma grave perturbação psíquica, a oneomania, que conduz o indivíduo a um gasto compulsivo, mais comum entre as mulheres. A natureza também é prejudicada pelo consumo ilimitado, porque o incremento das mercadorias, não só da demanda, mas também da oferta, produz no meio ambiente o aumento do volume do lixo.
   Para que a pessoa busque um tratamento, é preciso primeiro que ela se conscientize do processo que se desenrola em sua psique, mas dar esse passo não é fácil, porque o consumismo é uma atitude muitas vezes inconsciente. O sistema capitalista gerou em nossa sociedade a ilusória concepção de que o consumo sem limites conduz ao bem-estar e é sinônimo de civilização. Assim, hoje freqüentamos Shopping Centers, verdadeiros templos do consumo, que se proliferam cada vez mais, e nos envolvemos em rituais de compra e aquisição de serviços, transformando o próprio corpo em mercadoria. Ao invés de nos entregarmos, como antes, a ritos sagrados, mergulhamos cada vez mais na natureza profana do consumismo. E como participar deste cerimonial moderno é cada vez mais caro, as pessoas passam a valorizar excessivamente os meios de aquisição, ou seja, tudo e todos são medidos em termos do metal precioso, do poder e da posição social que ocupa, pré-requisitos para se estar habilitado a um consumismo crescente. O símbolo da felicidade humana na sociedade contemporânea é a possibilidade de poder consumir sem freios, trocando em miúdos, a posse dos bens materiais. O que torna difícil sair dessa ciranda viciosa é que o sistema realimenta continuamente a sede de consumir, para ter à sua disposição um mercado sempre disponível.



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