Comentário a respeito da Audiência sobre racismo em obra de Lobato termina sem acordo
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Publicado em Quarta, 12 Setembro 2012 15:55 Escrito por Caros Amigos
"Adoção da obra no ensino é questinada por entidade e por pesquisador"
Da Redação
"A polêmica sobre racismo em obra do autor Monteiro Lobato ainda não foi encerrada. Terminou sem consenso a audiência de conciliação realizada na noite de ontem (11) no Supremo Tribunal Federal (STF).
Representantes do Ministério da Educação (MEC), da Advocacia-Geral da União e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) discutiram, com a mediação do ministro do STF Luiz Fux, o mandado de segurança do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) e do pesquisador de gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto contra o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) que liberou a adoção do livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, no Programa Nacional Biblioteca na Escola."
"Publicado em 1933, Caçadas de Pedrinho relata uma aventura da turma do Sítio do Picapau Amarelo à procura de uma onça-pintada. Entre os trechos que justificariam a conclusão de racismo estão alguns em que Tia Nastácia é chamada de negra. Outra parte diz: 'Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão'.
Em relação aos animais, um exemplo mencionado é: 'Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens". Outro é: “Não vai escapar ninguém — nem Tia Nastácia, que tem carne preta'."
Não acho que seja irrelevante a questão, porém, mais do que gritar contra algo que já está enraizado no senso comum por conta de anos sem qualquer debate a respeito, melhor seria trabalhar por uma reforma completa no ensino que contemplasse todas as suas dimensões, com o intuito de formar integralmente o educando, inclusive, contribuindo para que este construa seu pensamento crítico e consiga entender os porquês desse tipo de discussão. No mais, temos que parar com os exageros sobre a questão racial no Brasil, a começar por mudar o uso dos termos como, não utilizar o termo raça para diferenciar negros de brancos ou de índios, pois pertencemos todos a raça humana, e ainda, despotencializar o uso dos termos negro, preto, não vejo nenhum problema se alguém me chamar dessa forma, pelo contrário, me sinto orgulhoso pois tenho plena consciência de minhas origens, quanto a correlação com animais, o macaco em especial, também não me sinto ofendido já que muitos seres humanos podem ser considerados mais irracionais que estes bichinhos tão lindos, é claro que se não tiver conotação deliberadamente pejorativa, a intenção de ofender, neste caso, que seja punido da mesma forma quando alguém chama o outro de imbecil, de mongoloide, de idiota, de p..., de v..., aqui é preciso rever nossas leis que continuam favorecendo a impunidade daqueles que possuem mais dinheiro, pois a realidade é que ninguém tem o direito de ofender ninguém, seja branco, preto, azul, laranja etc. Esse multicolorido incomensurável da raça humana é um tesouro incompreendido pela maioria e merece ser melhor explicado as nossas crianças desde o seio materno.
Acredito que dessa forma não precisaremos esconder livros preconceituosos ou racistas de nossos jovens, eles próprios, ao lerem com um olhar crítico, terão a capacidade de distinguir tais livros daqueles que tem realmente algum conteúdo importante para sua formação enquanto ser humano completo.
Acredito que dessa forma não precisaremos esconder livros preconceituosos ou racistas de nossos jovens, eles próprios, ao lerem com um olhar crítico, terão a capacidade de distinguir tais livros daqueles que tem realmente algum conteúdo importante para sua formação enquanto ser humano completo.
A verdade é que o racismo, onde quer seja, de que forma que seja praticado, deve ser combatido veementemente, a questão a ser discutida é como fazer isto, de maneira que aqueles que continuam perpetuando essa forma de pensamento sejam realmente punidos mas, ao mesmo tempo, sem criarmos uma nova ditadura racial. A intenção não pode ser essa mas, a erradicação definitiva da ideia da existência de "raças superiores" e "raças inferiores" e qualquer tipo de tentativa de inferiorizar qualquer grupo étnico, cultura ou gênero.
No mais vamos esperar que este entrave não se estenda muito para que não seja motivo de atraso para novas reformulações sobre este e outros assuntos também tão urgentes.
Professor Jorge Damião Dias de Souza

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