segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Que tal descontrair na cozinha neste fim de ano?

Receita de Rabanada para o Natal e o réveillon
Veja esta e outras delícias no blog da Pizzaria Arte e Fono

    Faça uma deliciosa rabanada e incremente sua mesa nas festas de fim de ano.

Ingredientes

2 Pães para rabanada;
½ Dúzia de ovos;
½ Quilo de açúcar;
1 Lata/cx leite condensado;
1 Litro de óleo;
Canela em pó;

Modo de preparo

1ª Parte

. Corte o pão na diagonal, em fatias com 3 centímetros de espessura, reserve;




. Prepare um refratário com leite, adicione o leite condensado (ou acrescente açúcar) e uma pitada de sal, reserve;

. Prepare outro refratário com açúcar e adicione a canela (a gosto);

. Em outro recipiente bata as claras em neve e em seguida agregue as gemas;

2ª Parte

. Molhe o pão no leite dos dois lados sem deixar encharcar, imediatamente pressione a fatia com as duas mãos sem amassar o pão (para que o leite se distribua por toada a fatia);

. Passe a fatia nas claras em neve e coloque em óleo quente (em quantidade suficiente para deixar o pão flutuando);

. Deixe-as descansar em uma bandeja com guardanapos ou papel toalha até esfriar, em seguida passe no açúcar com canela e está pronto.  
                                                                                                                                     By Valdemar Neto

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O MAR DEVOLVEU A VERDADE...




A Comissão Interamericana de Direitos Humanos entregou à justiça argentina um arquivo com mais de 130 fotografias de corpos encontrados nas costas uruguaias, e que corresponderiam a vítimas da ditadura militar argentina lançadas ao mar nos denominados “voos da morte”. O arquivo, que permaneceu confidencial durante 32 anos, é parte de um dossiê com imagens e informes redigidos por serviços de inteligência uruguaios. Para a justiça argentina, trata-se de uma das provas mais claras da existência dos voos da morte. O artigo é de Francisco Luque, direto de Buenos Aires.


Reportagem da Telam sobre os vôos da morte(07/05/2010)

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) entregou hoje à justiça argentina um arquivo com mais de 130 fotografias de corpos encontrados nas costas uruguaias, e que corresponderiam a vítimas da ditadura militar argentina lançadas ao mar nos denominados “voos da morte”. O arquivo, que permaneceu confidencial durante 32 anos, é parte de um dossiê com imagens e informes redigidos por serviços de inteligência uruguaios que dão conta da descoberta de corpos na zona de Laguna de Rocha e que, presumivelmente, foram arrastados pelas correntes marinhas até à costa uruguaia. Para a justiça argentina, dada a magnitude da evidência, trata-se de uma das provas mais claras da existência dos voos da morte.

Esta informação está registrada no informe “Observação in loco”, nome com o qual a CIDH denominou a visita que fez a Argentina entre 6 e 20 de setembro de 1979. Aquela visita e os informes redigidos na ocasião deram conta de modo contundente do plano de extermínio executado pelos militares argentinos – aglutinados na Escola de Mecânica da Armada (Esma) – e cujo ato bárbaro culminante foi a desaparição de presos políticos lançados vivos ao mar. O informe também relata de maneira direta o drama que a Argentina vivia durante a ditadura em função da “ação das autoridades públicas e de seus agentes, e das numerosas e graves violações dos direitos humanos que ocorriam no país”.

As fotografias dão conta da crueldade com que atuavam os agentes da ditadura: corpos com os pés e mãos amarradas, cordas feitas com cortinas de persianas, queimaduras de cigarros, feridas, evidências de torturas e orifícios de balas. Um corpo de mulher que parecia ter passado muito tempo na água ainda mantinha as unhas de seus pés pintadas. Em alguns casos, estão inteiros, mas comidos pela fauna marinha; inchados, putrefatos, sem cabelos nem olhos. Em outros, parecia que o dano tinha sido feito previamente.

Segundo os informes da inteligência uruguaia, a maioria dos corpos apareceu com ataduras rústicas, ou com traços delas. Isso demonstraria que as vítimas tiveram os pés e mãos imobilizados e, assim, não tiveram possibilidade alguma de nadar e salvar-se após serem jogadas vivas nas águas. Um informe apócrifo sobre a descoberta de um corpo feminino, feito em abril de 1976, assinala: “O corpo apresentava indícios externos de violência: sinal de violação, provavelmente com objetos perfurantes, fraturas múltiplas. Não há nenhum possível elemento de identificação. O corpo foi extraído desnudo das águas e as impressões digitais obtidas não trouxeram respostas positivas”.

Os primeiros informes datam de 1975. Entre os papéis se encontram mapas com os ciclos das correntes e indicam Buenos Aires como ponto de partida. Estes dados permitem inferir que os corpos pertencem a desaparecidos argentinos. Também se encontraram moedas e cédulas argentinas e uma carteira de Santa Fé.

Os documentos foram entregues pelo secretário executivo da CIDH, o argentino Santiago Cantón, ao juiz Sergio Torres, encarregado da mega-causa ESMA, que investiga os voos da morte. A comissão desconhece a origem dos documentos. Só sabem que alguém os entregou em 1979. É possível pensar que sejam resultado das imagens feitas por um ex-marinheiro uruguaio, Daniel Rey Piuma, que desertou da força, pediu refúgio no Brasil e difundiu as imagens por meio de uma organização civil no início dos anos 80. Parte desta informação apareceu no livro “Um marinheiro acusa”, publicado em 1988. 

A entrega destes arquivos para a justiça argentina representa uma mudança de paradigma no funcionamento da CIDH, já que é a primeira vez que ela abre seus arquivos confidenciais para um processo judicial. Embora esses documentos ainda não tenham sido corroborados, a justiça argentina os considera fundamentais não só para o caso dos voos da morte, mas também porque pode embasar um pedido para que o Estado uruguaio libere todos os documentos relacionados à descoberta de corpos na mesma época.

“Estes documentos podem servir para identificar pessoas e mostram a existência das torturas, das violações, das ataduras. Até agora, as provas dos voos da morte eram todas testemunhais. Estas [fotos] são chave pelo seu caráter de imediatez, são um registro daquele momento”, assinalou o secretário Santiago Cantón.

Estes documentos não são os primeiros que a CIDH entrega à justiça argentina. Este ano, o juiz Torres viajou a Washington e revisou 60 caixas com documentos sobre denúncias recebidas pela Comissão durante a última ditadura. Grande parte desse material foi escaneado e já faz parte do processo. Cantón explicou que, dado o tempo transcorrido, a democracia na Argentina e a firme determinação da Comissão em colaborar com as causas de direitos humanos, “é possível abrir muito mais documentos”.

http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm?alterarHomeAtual=1&home=S

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pastoral da Criança cuidando da vida de nossas crianças


Qua, 23 de Novembro de 2011 16:56
O coordenador nacional adjunto da Pastoral da Criança, médico Nelson Arns Neumann, divulgou hoje (dia 23) em Curitiba, durante a Assembleia Nacional da entidade, estudos internacionais sobre a influência dos 1000 dias de vida na saúde das pessoas. O resultado do estudo indica para uma mudança de paradigma nos cuidados com a saúde na gestação e dos dois primeiros anos de vida.

Estamos acostumados a pensar nas doenças crônicas como se fossem doenças infeciosas, cada qual com um agente patogênico. Devemos pensar nas doenças crônicas sob um novo paradigma: muitas delas tem sua origem nos primeiros 1000 dias de vida – 270 dias de gestação, e 2 x 365 dias após o nascimento. "Este é um período fundamental para prevenir doenças crônicas como diabetes, hipertensão, osteoporose ou doenças coronarianas", afirmou Neumann.

Estudo que acompanhou crianças do nascimento aos 14 anos comprovou: 1) crianças que mamaram no peito tinham, aos 14 anos, menos hipertensão arterial, diabetes e obesidade. 2) Efeito dose-resposta: quanto mais aleitamento menos incidência dessas doenças.

Outra conclusão do estudo mostra que crianças com baixo peso ao nascer têm maior risco de doenças coronarianas. O médico alerta: “o baixo peso da mãe na gestação pode facilitar o parto, mas pode ter efeitos perversos para a vida da criança”. Dados oficiais apontam que aumenta no país o número de crianças que têm baixo peso ao nascer.
Baixe a exposição usando o seguinte link:  Influência dos primeiros 1000 dias de vida na saúde das pessoas

Ações preventivas de saúde
A Pastoral da Criança, em suas ações, promove o desenvolvimento integral das crianças pobres, da concepção aos seis anos de idade, em seu contexto familiar e comunitário, com ações de preventivas de saúde, nutrição, educação e cidadania.

As ações desenvolvidas pela Pastoral da Criança estão fundamentadas em evidências científicas. As contribuições recentes das investigações realizadas em crianças apontam que existem fatores que influenciam a saúde nas fases precoces do desenvolvimento humano e, consequentemente, o padrão de saúde e doença ao longo da vida.

O índice de mortalidade infantil na Pastoral da Criança, em 2010, foi de 9,5 mortes para cada mil nascidas vivas, quase metade da média nacional.  Neste mesmo ano o percentual de crianças acompanhadas que nasceram com baixo peso (menos de 2,5 Kg) foi de 5,8%.

Dados do Caderno de Informações em Saúde 2010, do Ministério da Saúde, apontam baixo peso ao nascer geral de 8,3% no Brasil. Em 1999 esse índice era de 7,7%. Em Curitiba, os dados oficiais mostram que em 1995 o índice era de 8%. Em 2010, o índice alcançou 9% - nasceram 2.273 crianças com baixo peso na capital paranaense.

Graças ao envolvimento dos milhares de voluntários da Pastoral da Criança, expandiu-se, no país, o apoio integral às gestantes nas comunidades, com o oferecimento de orientação e supervisão nutricional às futuras mães; a valorização da vida, a partir da gestação; a preparação das gestantes para o aleitamento materno; o encaminhamento para as consultas de pré-natal.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A "Barbarie" não está smente do outro lado do Atlântico...

21/09/2011 19h26 - Atualizado em 21/09/2011 19h31
Americano tenta último recurso no Supremo a menos de 2 h da execução
Advogados recorreram após Corte Superior da Geórgia rejeitar recursos.
Execução de Troy Davis, condenado por homicídio, está prevista para 20h.
A Corte Superior do Condado da Geórgia, no sudeste dos Estados Unidos, rejeitou nesta quarta-feira (21) o recurso apresentado pelo condenado à morte Troy Davis, que deve ser executado na mesma noite, confirmou um dos advogados do homem, anunciando que entrou com recurso no Supremo Tribunal dos Estados Unidos, 90 minutos antes do horário previsto para a execução.
Os dois recursos apresentados à Corte Suprema da Geórgia foram negados, segundo documentos judiciais.
O juiz Thomas Wilson "rejeitou" os recursos apresentados na manhã desta quarta, e "agora vamos apelar à Suprema Corte", disse o advogado Brian Kemmer pouco antes de anunciar que o recurso havia sido protocolado na Suprema Corte. Está programada para as 19h locais (20h em Brasília) a injeção letal em Troy Davis, condenado à morte em 1991 pelo assassinato de um policial.
Davis, cujo caso provocou uma onda de protestos em todo o mundo, apresentou na manhã de hoje dois recursos para evitar sua execução, insistindo sobre sua inocência e nas diversas dúvidas provocadas pelo processo judicial.
Um recurso de habeas corpus e outro para deter a execução foram apresentados na Corte Superior do condado de Butts, na Geórgia, que esta tarde rejeitou as duas medidas.
Após saber da decisão do Comitê de Indultos da Geórgia, que negou seu pedido de clemência, Davis solicitou na terça-feira (20) para ser submetido a um detector de mentiras, o que também foi negado.
No corredor da morte há 20 anos pelo assassinato do policial branco Mark MacPhail, Davis foi condenado à pena capital após um processo repleto de vícios judiciais que apresentaram dúvidas sólidas sobre a inocência do culpado.
Apresentado por seus defensores como o exemplo do negro condenado injustamente, Troy Davis recebeu o apoio de personalidades como o ex-presidente americano Jimmy Carter, o papa Bento XVI ou a atriz Susan Sarandon e centenas de manifestações pedindo o indulto foram realizadas em todo o mundo.
Durante o processo, nove testemunhas do assassinato cometido em 1989 indicaram Troy Davis como o autor do tiro, mas a arma do crime nunca foi encontrada e nenhuma prova digital ou traço de DNA foi revelado. Depois, sete testemunhas se retrataram, mas isso não foi suficiente para convencer a justiça de rever seu veredicto.

21/09/2011 20h53 - Atualizado em 21/09/2011 21h03

Justiça adia execução de Troy Davis, dizem TVs americanas

Recurso a menos de 2 h da execução adiou sentença marcada para as 20h.
Julgamento polêmico condenou homem pela morte de um policial em 1989.


A execução da pena de morte por injeção do americano Troy Davis, inicialmente marcada para as 19h desta quarta-feira (21) no estado americano da Geórgia (20h em Brasília), foi adiada poucos minutos antes do prazo final, segundo informaram TVs americanas.
A notícia foi veiculada pelos canais CNN e MSNBC, que não informaram para quando a sentença teria sido adiada. Centenas de manifestantes que aguardavam do lado de fora do presídio de Jackson comemoraram a decisão.
A Corte Superior do Condado da Geórgia, no sudeste dos Estados Unidos, havia rejeitado no mesmo dia o recurso apresentado pelocondenado à morte Troy Davis. Um dos advogados do homem anunciou em seguida que entrou com recurso no Supremo Tribunal dos Estados Unidos, 90 minutos antes do horário previsto para a execução.
Os dois recursos apresentados à Corte Suprema da Geórgia haviam sido negados, segundo documentos judiciais.
O juiz Thomas Wilson "rejeitou" os recursos apresentados na manhã desta quarta, e "agora vamos apelar à Suprema Corte", disse o advogado Brian Kemmer pouco antes de anunciar que o recurso havia sido protocolado na Suprema Corte. Estava programada para as 19h locais (20h em Brasília) a injeção letal em Troy Davis, condenado à morte em 1991 pelo assassinato de um policial.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Impunidade

Diante dos últimos acontecimentos, que coroaram anos de corrupção e impunidade _ absolvição de Jaqueline Roriz, o sentimento de indignação transforma-se agora em uma tormenta, que traz a reboque a certeza da inexistência da ética, do decoro, da honestidade para ser mais direto, nos quadros políticos do Brasil. O povo brasileiro precisa se movimentar coletivamente e exigir dos seus funcionários (todos os políticos eleitos em especial), o fim do voto secreto em todo o Congresso Nacional.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Artigo extraído da Carta Maior

 Leia artigo interessante de Emir Sader, postado no sitio da Carta maior em 02/09, sobre ideologias dos tempos modernos. A elite brasileira, tanto quanto as elites de países do “1° mundo”, produzem ideologias com o intuito de perpetuar a situação de desequilíbrio na distribuição da renda e do poder de decisão, este ultimo negado na na sua totalidade às camadas mais pobres.

De céticos a cínicos


O ceticismo parece um bom refúgio em tempos em que já se decretou o fim das utopias, o fim do socialismo, até mesmo o fim da história. É mais cômodo dizer que não se acredita em nada, que tudo é igual, que nada vale a pena. O socialismo teria dado em tiranias, a política em corrupção, os ideais em interesses. A natureza humana seria essencialmente ruim: egoísta, violenta, propensa à corrupção.
Nesse cenário, só restaria não acreditar em nada, para o que é indispensável desqualificar tudo, aderir ao cambalache: nada é melhor, tudo é igual. Exercer o ceticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade. Umas são péssimas, outras impossíveis. Alguns órgãos, como já foi dito, são máquinas de destruir reputações. Porque se alguém é respeitável, se alguma alternativa demonstra que pode conquistar apoios e protagonizar processos de melhoria efetiva da realidade, o ceticismo não se justificaria.
Na realidade o ceticismo se revela, rapidamente, na realidade, ser um cinismo, em que tanto faz como tanto fez, uma justificativa para a inércia, para deixar que tudo continue como está. Ainda mais que o ceticismo-cinismo está a serviço dos poderes dominantes, que costumam empregar esses otavinhos, dando-lhes espaço e emprego.
Seu discurso é que o mundo está cada vez pior , à beira da catástrofe ecológica, tudo desmorona e outros cataclismos. Concitam a essa visão pessimista, ao ceticismo e a somar-se à inercia, que permite que os poderosos sigam dominando, os exploradores sigam explorando, os enganadores – como eles – sigam enganando. 
Por mais que digam que tudo está pior, que o século passado foi um horror – como se o mundo estivesse melhor no século XIX -, que nada vale a pena, não podem analisar a realidade em concreto. Para não ir mais longe, basta tomar a América Latina – tema sobre o qual a ignorância dessa gente é especialmente acentuada. Impossível não considerar que o século XX foi o mais importante da sua história, o primeira em que a região começou a ser protagonista da sua historia. De economias agro exportadoras, se avançou para economias industrializadas em vários países, para a urbanização , para a construção de sistemas públicos de educação e de saúde, para o desenvolvimento do movimento operário e dos direitos dos trabalhadores.
Mas bastaria concentrar-nos no período recente, no mundo atual, para nos darmos conta de que as sociedades latino-americanas – o continente mais desigual do mundo – ou pelo menos a maioria delas, avançaram muito na superação das desigualdades e da miséria. Ainda mais em contraste com os países do centro do capitalismo, referência central para os cético-cínicos, que giram em falso em torno de políticas que a América Latina já superou.
As populações da Venezuela, da Bolívia, do Equador, estão vivendo muito melhor do que antes dos governos de Hugo Chavez, de Evo Morales e de Rafael Correa. A Argentina dos Kirdhcner esta’ muito melhor do que com Menem. O Brasil de Lula e de Dilma esta’ muito melhor do que com FHC.
Mas o ceticismo-cinismo desconhece a realidade concreta, não conhece a história. É pura ideologia, estado de ânimo, que dá cobertura aos poderosos, lado que escolheram, ao optar por deixar o mundo como ele está. Trata de passar sentimentos de angustia diante dos problemas do mundo, mas é apenas uma isca para fazer passar melhor seu compromisso com que o mundo não mude, continue igual. Até porque a vida está bem boa para eles que comem da mão dos ricos e poderosos.
Ser otimista não é desconsiderar os graves problemas de toda ordem que o mundo vive, não porque a natureza humana seja ruim por essência, mas porque vivemos em um sistema centrado no lucro e não nas necessidades humanas – o capitalismo, na sua era neoliberal. Desconhecer as raízes históricas dos problemas, não compreender que é um sistema construído historicamente e que, portanto, pode ser desconstruído, que teve começo, tem meio e pode ter fim. Que a história humana é sempre um processo aberto de alternativas e que triunfam as alternativas que conseguem superar esse ceticismo-cinismo que joga água no moinho de deixar tudo como está, pela ação consciente, organizada, solidária dos homens e mulheres concretamente existentes.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

É MUITO IMPORTANTE LANÇAR UM OLHAR CRÍTICO SOBRE AS INFORMAÇÕES DOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO...

Vejam alguns dos motivos pelos quais a Líbia (ou Khadafi) se tornou uma pedra no sapato do mundo capitalista:  

Excentricidade e brutalidade marcam o governo de Khadafi na Líbia


As várias fases de Khadafi
Khadafi está no poder há décadas
Em um período que se estende por quatro décadas, o líder líbio, Muamar Khadafi, desfilou pelo cenário internacional com um estilo tão peculiar e imprevisível que as palavras "excêntrico" ou "dissidente" talvez não consigam descrevê-lo com exatidão.
Com suas aparições em reuniões internacionais marcadas por roupas extravagantes e discursos sem rodeios, Khadafi foi visto como herói revolucionário, pária do cenário internacional, parceiro estratégico valorizado e novamente pária.

Líbia

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O líder líbio desenvolveu sua própria filosofia política, escrevendo um livro que é, pelo menos de acordo com o autor, tão influente que se destaca mais do que qualquer coisa feita por Platão, Marx ou Locke.
O início
Em 1969, quando tomou o poder em um golpe militar sem violência, e no início da década de 70, Muamar Khadafi era um jovem oficial do Exército, considerado bonito e carismático.
Discípulo do presidente Gamal Abdel Nasser, do Egito (ele até adotou a mesma patente militar de Nasser, se promovendo de capitão para coronel depois do golpe), Khadafi começou seu governo enfrentando o legado de injustiça econômica deixado pela dominação estrangeira na Líbia.
E a grande questão de Khadafi foi o petróleo.
Khadafi e Nasser
Khadafi era discípulo do presidente Naser, do Egito
No final da década de 50, reservas de petróleo foram descobertas na Líbia, mas a extração do produto era controlada por companhias estrangeiras, que estabeleciam os preços para dar vantagens aos consumidores de seus países de origem e ficavam com metade da renda.
Khadafi exigiu a renegociação dos contratos, ameaçando fechar a produção se as companhias petroleiras se recusassem. Ele desafiou os executivos destas companhias estrangeiras, afirmando que "pessoas que viveram sem petróleo por 5 mil anos podem viver sem isto de novo por alguns anos para conquistar seus direitos".
A estratégia funcionou e a Líbia se transformou no primeiro país em desenvolvimento a garantir uma fatia majoritária dos ganhos de sua própria produção de petróleo. Outros países logo seguiram o exemplo e o boom do petróleo árabe da década de 70 começou.
E a Líbia logo colheu os benefícios. Com os níveis de produção alcançando os de países do Golfo, e uma das menores populações da África (menos de 3 milhões de pessoas na época), o país enriqueceu rapidamente.
Outro caminho
Ao invés de seguir as doutrinas do nacionalismo árabe ou seguir os excessos consumistas dos países do Golfo, Khadafi preferiu seguir outro caminho.
Página do Livro Verde, de Khadafi
Khadafi explicou suas teorias no Livro Verde
Filho de pais beduínos, nascido em 1942, Muamar Khadafi era um homem inteligente e talentoso, mas ele não teve uma educação completa, a não ser pela leitura do Corão e pelo treinamento militar.
No entanto, no começo dos anos 70, ele resolveu ser um filósofo político, desenvolvendo o que chamou de terceira teoria universal, destacada em seu famoso Livro Verde.
A teoria alega resolver as contradições inerentes no capitalismo e comunismo (a primeira e segunda teorias), para colocar o mundo em um caminho de revolução política, econômica e social e libertar os povos oprimidos.
Na verdade, a teoria é uma série de críticas severas e é muito irônico que um texto cujo objetivo seria libertar os povos dos interesses de sistemas políticos dominantes tenha sido usado para dominar uma população inteira.
O resultado da teoria de Khadafi, marcada pela intolerância absoluta a opiniões dissidentes ou alternativas, foi o esvaziamento da sociedade líbia de todos os vestígios de constitucionalidade, sociedade civil ou participação política
autêntica.
O sistema
O livro de Khadafi afirma que a solução dos problemas da sociedade não está na representação eleitoral, descrita por ele como uma "ditadura" do maior partido, ou qualquer outro sistema político. Mas o estabelecimento de comitês do povo para governar todos os aspectos da vida.
Este novo sistema é apresentado em forma de um diagrama no Livro Verde, com os congressos populares mais básicos em volta da borda de uma roda, elegendo os comitês do povo, que influencia um secretariado do povo, no centro.
O povo líbio foi levado a participar dos congressos populares, que não tinham poder real, autoridade ou orçamento, com o conhecimento de que qualquer um que falasse fora de sua vez ou criticasse o regime seria levado para uma prisão.
Uma série de leis draconianas foi imposta em nome da segurança do país com penas que incluíam punições coletivas, morte para os que espalhassem teorias que visassem implementar mudanças na Constituição e prisão perpétua para os que disseminassem informações que prejudicassem a reputação do país.
As histórias de tortura, longas penas de prisão sem um tribunal justo, execuções e desaparecimentos se multiplicaram.
Muitos dos cidadãos mais bem educados e qualificados escolheram o exílio ao invés de servir o regime.
'Cachorro louco'
Sem as restrições, Khadafi foi capaz de espalhar sua campanha contra o imperialismo pelo mundo, financiando e apoiando grupos e movimentos de resistência.
Ele também atingiu líbios exilados e dezenas destes foram mortos por assassinos que pertenceriam a uma rede secreta global da Líbia.
Mas, se os governos de outros países não se importavam com a violação de direitos na Líbia e perseguição de dissidentes, a situação de Khadafi mudou em 1986, quando uma casa noturna usada por soldados americanos em Berlim foi atacada com bombas e a culpa recaiu em agentes líbios.
O então presidente americano, Ronald Reagan, ordenou ataques aéreos contra Trípoli e Benghazi, como retaliação pela morte de dois soldados e um civil, além das dezenas de feridos em Berlim, mesmo sem provas concretas do envolvimento da Líbia.

Trechos do 'Livro Verde'

                                                                                                                                                             "Liberdade de expressão é o direito de cada pessoa, mesmo se a pessoa escolher se comportar irracionalmente, para expressar sua insanidade. (...) Mulheres, como os homens, são seres humanos. Isto é uma verdade incontestável... Mulheres são diferentes dos homens na forma, pois são fêmeas, como todas as fêmeas dos reinos vegetal e animal diferem dos machos de suas espécies... Segundo ginecologistas, as mulheres, diferente dos homens, menstruam todos os meses... Como os homens não podem engravidar, eles não passam pelas indisposições que as mulheres passam. "
A retaliação visava matar o "cachorro louco do Oriente Médio", como Reagan o chamou na época. Mas, apesar dos danos, de um número desconhecido de mortos, incluindo daquela que seria a filha adotiva de Khadafi, o líder líbio escapou ileso.
O próximo incidente desfavorável foi a explosão do voo 103 da Pan Am, sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, causando a morte de 270 pessoas, no pior atentado da história da Grã-Bretanha.
Inicialmente Khadafi se recusou a entregar os dois suspeitos líbios para a Justiça escocesa, o que resultou em um período de negociações e sanções da ONU. Isto acabou em 1999, quando eles foram entregues e julgados.
Um deles, Abdelbasset Ali al-Megrahi foi condenado à prisão perpétua.
Século 21
A resolução do caso Lockerbie, junto com a renúncia de Khadafi ao programa nuclear e de armas químicas, abriu
caminho para uma retomada das relações entre a Líbia e os países ocidentais no século 21.
A retomada das relações foi vista como um dos poucos resultados positivos da invasão militar do Iraque em 2003. Khadafi teria visto o destino de Saddam Hussein, enforcado pelos iraquianos depois de um processo liderado pelos americanos, e teria aprendido a lição.
Com as sanções internacionais suspensas, Trípoli voltou ao itinerário da política internacional e, com isso, líderes como ex-premiê britânico Tony Blair, entre outros, frequentaram a luxuosa tenda ao estilo beduíno de Khadafi, erguida no terreno de seu palácio. Uma tenda que Khadafi levava junto com todo o luxo em suas viagens.
Apesar dos protestos de familiares americanos das vítimas do atentado de Lockerbie, a Líbia continuou fechando contratos com companhias ocidentais.
Entre os árabes, Khadafi manteve sua fama de ovelha negra na primeira década do século 21, fazendo aparições extravagantes nas reuniões da Liga Árabe, acendendo cigarros e jogando a fumaça no rosto do vizinho, com seus discursos inflamados ou se proclamando "rei dos reis da África".
Rebelião
Quando as primeiras revoltas começaram nos países árabes, em dezembro de 2010, a Líbia não estava no topo da maioria das listas de apostas dos próximos países.
Tony Blair foi um dos líderes que visitou Khadafi em sua tenda (Getty)
Tony Blair foi um dos líderes que visitou Khadafi em sua tenda
Khadafi se encaixava no perfil de líder autoritário há décadas no poder, mas não era visto como servo do Ocidente ou acusado de não privilegiar os interesses de seu próprio povo.
Ele tinha redistribuído a riqueza, apesar de ser difícil ignorar o enriquecimento de sua própria família com o petróleo do país.
Khadafi também promoveu grandes obras públicas e houve até uma chamada Primavera de Trípoli, na qual foi dado a entender aos exilados que eles poderiam voltar ao país sem o risco de ir para a prisão ou serem perseguidos.
E, quando os primeiros sinais de manifestações começaram no país, Khadafi prometeu protestar junto com o povo.
Mas as primeiras imagens da rebelião no país mostraram jovens líbios em Benghazi em frente a um prédio oficial, destruindo um monumento que simbolizava o Livro Verde de Khadafi.
E, enquanto a rebelião se espalhava, e a gravidade da ameaça ao seu regime ficava cada vez mais aparente, Khadafi mostrou que não tinha perdido nenhuma da brutalidade que mostrou contra dissidentes nas décadas de 70 e 80.
Desta vez, esta brutalidade foi direcionada contra cidades inteiras onde as pessoas ousaram pedir sua saída. As forças regulares do país, com o apoio de mercenários, quase subjugaram os grupos rebeldes, formados por militares desertores e milicianos com pouco treinamento.
Mas, a intervenção da Otan em março, autorizada pela resolução da ONU que pedia a proteção de civis líbios, evitou a aniquilação destes rebeldes. No entanto, eles ainda precisaram de meses para conseguir uma vantagem.
No momento em que este artigo foi escrito, os rebeldes chegaram a Trípoli e o regime de Khadafi parece ter se desintegrado. Mas, o último capítulo de sua carreira política ainda não foi escrito e o final poderá ser imprevisível.