sexta-feira, 13 de maio de 2011

EN: [ZP110512] O mundo visto de Roma



Um grande abraço
Jorge Damião



De: ZENIT <infoportuguese@zenit.org>
Enviada: quinta-feira, 12 de maio de 2011 20:19
Para: diarioportughtml@list.zenit.org
Assunto: [ZP110512] O mundo visto de Roma

Campanha de arrecadação de fundos 2011

Agradecemos de coração a todos que já participaram da Campanha de doações deste ano e a todos que têm expressado seu carinho por meio de e-mails e cartas. Se 3.200 dos 50.000 subscritores (ou seja, 6,4%!) fizerem uma doação, nós alcançamos a meta da edição em língua portuguesa (80 mil dólares). Você poderia integrar esse grupo de leitores e ajudar na continuidade desta obra de evangelização e formação humana?

Para doar, acesse: http://www.zenit.org/portuguese/doacao.html

Muito obrigado e boa leitura de ZENIT!


ZENIT

O mundo visto de Roma

Serviço diario - 12 de maio de 2011

Publicidade

SISTEMA DE PUBLICIDADE ONLINE!

Deseja anunciar um novo livro, um congresso, uma peregrinação, encontro ou retiro, um site, DVD, CD, campanha, no amplo e seleto mundo dos leitores de ZENIT?

Publique seu anúncio nos espaços publicitários em nosso site ou nos serviços de ZENIT via correio eletrônico!

Você poderá atingir os centenas de milhares de visitantes de nosso site e os mais de 500.000 leitores em todo o mundo, 50.000 deles subscritos nos serviços via e-mail em português.

Tarifas promocionais!

Para propor seu anúncio, são suficientes poucos minutos, basta seguir os passos que se indicam no link:

http://ads.zenit.org/portuguese

Conheça as condições para anunciar nos serviços de e-mail de ZENIT. Visite: http://ads.zenit.org/portuguese


Santa Sé

Mundo

Em foco

Espiritualidade

Documentação


Santa Sé


Papa: católicos e judeus devem defender dignidade juntos
Audiência do Papa com delegação de “B

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 12 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Bento XVI disse hoje que judeus e católicos podem colaborar muito mais do que em mera ação social, pois partilham uma visão da pessoa e da sua dignidade dadas por Deus. Esta foi sua reflexão ao receber hoje, em audiência, uma delegação da B'nai B'rith International, associação judaica mundial de ação social, que está envolvida no diálogo entre católicos e judeus.

O Papa se dirigiu aos membros da organização, valorizando sua "participação ativa" na reunião do International Catholic-Jewish Liaison Committee, realizado em Paris no final de fevereiro.

O encontro de Paris "afirmou o desejo de católicos e judeus de ir juntos ao encontro dos imensos desafios enfrentados por nossas comunidades, em um mundo em rápida mudança e, de forma significativa, do nosso dever religioso compartilhado de combater a pobreza, a injustiça, a discriminação e a negação dos direitos humanos universais".

No entanto, o entendimento entre judeus e católicos poderia ser ainda muito mais amplo, sugeriu o Papa. "Há muitas maneiras em que os judeus e os cristãos podem trabalhar juntos para melhorar o mundo, de acordo com a vontade do Todo-Poderoso, para o bem da humanidade", destacou.

Nesse sentido, sublinhou duas questões: a dignidade da pessoa e o papel da religião na sociedade.

Quanto à primeira, disse que "uma das coisas mais importantes que podemos fazer juntos é dar testemunho comum da nossa profunda convicção de que cada homem e mulher é criado à imagem divina e, portanto, tem uma dignidade inviolável".

"Essa convicção continua sendo a base mais segura de qualquer esforço para defender e promover os direitos inalienáveis ​​de cada ser humano."

Em segundo lugar, destacou a importância, já manifestada em uma reunião em Jerusalém - em março passado, entre as delegações do Grão-Rabinato de Israel e da Comissão da Santa Sé para as Relações Religiosas com o Judaísmo - do papel da religião na sociedade.

É necessário, disse, "promover uma compreensão mais profunda do papel da religião nas nossas sociedades de hoje, como um corretivo rumo a uma visão da pessoa humana e da convivência social puramente horizontal e, em consequência, truncada".

"A vida e a obra de todos os crentes deveriam oferecer um testemunho constante do transcendente, apontando para as realidades invisíveis que estão acima de nós, e incorporar a convicção de que uma Providência amorosa e compassiva guia o resultado final da história, não importa quão difícil e ameaçador possa parecer às vezes a viagem durante o caminho."

Finalmente, o Pontífice ressaltou a significativa importância "do que aconteceu nos últimos quarenta anos", desde a Nostra Aetate.

O atual nível de diálogo entre judeus e católicos, sublinhou o Papa, "deve ser visto como um grande dom do Senhor e como motivo de profunda gratidão Àquele que guia os nossos passos, em sua sabedoria infinita e eterna".

B'nai B'rith International (que em hebraico significa "Filhos da Aliança") é a organização judaica de ação social mais antiga que existe atualmente, pois foi fundada em 1843, em Nova York, em auxílio dos judeus que então não tinham pátria própria.

Envie a um amigo | Imprima esta notícia

top


Papa expressa proximidade às vítimas do terremoto na Espanha
Alenta a solidariedade e a caridade fraterna

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 12 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Bento XVI expressou seus pêsames ao receber a notícia do falecimento de nove pessoas nos dois terremotos que nessa quarta-feira atingiram a localidade de Lorca (sudeste da Espanha).

Um telegrama do Papa, enviado pelo cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, ao bispo da diocese de Cartagena, Dom José Manuel Lorca Planes, recorda também as dez mil pessoas deslocadas de seu lar pelo sismo.

“O Santo Padre manifesta sua especial proximidade aos atingidos, oferecendo sufrágios pelo eterno descanso dos falecidos e pedindo ao Todo Poderoso que conceda consolo e esperança cristã aos que sofrem esta dura adversidade”, afirma a carta.

O Papa alenta as instituições e pessoas de boa vontade à solidariedade e caridade fraterna com as pessoas e famílias em dificuldades.

Bento XVI transmite seus pêsames em particular “aos familiares dos mortos” e expressa “sua fraterna solicitude aos feridos e danificados, a quem envia de coração a confortadora bênção apostólica, como sinal de afeto a esta querida localidade”.

Nessa quarta-feira, Lorca foi atingida por um terremoto de 5,1 graus de magnitude na escala Richter. Duas horas depois, houve outro tremor, de 4,4 graus. Houve danos materiais em casas e prédios históricos,e milhares de pessoas foram obrigadas a passar a noite nas ruas.

Envie a um amigo | Imprima esta notícia

top


Mundo


Fátima agradece pelo Beato João Paulo II
Peregrinação de maio faz ação de graças pela beatificação do pontífice

FÁTIMA, quinta-feira, 12 maio de 2011 (ZENIT.org) - A peregrinação aniversária maio ao Santuário de Fátima â€" dias 12 e 13 â€" é uma ação de graças pela beatificação de João Paulo II.

Os bispos convidaram o povo português se unir “em oração agradecida, celebrando a santidade de vida deste Papa, cuja história está muito ligada a Portugal, particularmente a Fátima”, assinalava o comunicado final da última assembleia do episcopado católico do país, segundo recorda Agência Ecclesia.

João Paulo II, beatificado no dia 1º de maio, é lembrado em Portugal pela sua ligação a Fátima, reforçada pela intercessão a Nossa Senhora na recuperação do atentado de 1981 e pela beatificação dos pastorinhos Francisco e Jacinta, em 2000.

A Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) sobre a beatificação do Papa polaco, Karol Wojtyla (1920-2005), divulgada em março, sublinhava essa ligação.

“É considerado o Papa de Fátima, que um ano depois do atentado na Praça de São Pedro, em Roma, a 13 de maio de 1981, veio à Cova da Iria agradecer à Rainha da Paz o ter providencialmente sobrevivido”, assinalavam os bispos.

João Paulo II esteve no Santuário de Fátima em 1982, 1991 e, pela última vez, em 2000, altura em que beatificou os videntes Francisco e Jacinta Marto.

Quem preside esta peregrinação de maio, que começou hoje, é o cardeal Sean O’Malley, arcebispo de Boston. Ele vai falar sobre “a importância da mensagem de Fátima para a atualidade”.

Na conferência de imprensa que antecedeu o início da peregrinação, o cardeal O’Malley disse que no mundo de hoje “a fé é um tesouro”.

“Num mundo que nos pede para enfrentar a crise e as doenças da vida, não somos órfãos, temos um pai que cuida dos seus filhos”, afirmou. Ele disse que rezará em Fátima por mais fé para o mundo e uma nova geração de crentes.

Envie a um amigo | Imprima esta notícia

top


Santuário de Fátima enviará imagem ao Brasil

FÁTIMA, quinta-feira, 12 de maio de 2011 (ZENIT.org) - A imagem de Nossa Senhora destinada ao Santuário de Fátima no Rio de Janeiro será benzida nesta sexta-feira, no contexto da peregrinação aniversária de maio ao Santuário português.

Segundo informa a Sala de Imprensa do Santuário de Fátima, no final da Missa de amanhã, no momento da bênção dos objetos religiosos, será benzida a imagem que seguirá para o Brasil.

A imagem será levada para o Rio de Janeiro, onde será entronizada numa réplica da Capelinha das Aparições, com as mesmas dimensões da do Santuário de Fátima.

A inauguração dessa capela no Rio está prevista para dia 28 deste mês. Será presidida pelo arcebispo local, D. Orani João Tempesta. De Portugal, irá ao Brasil para a cerimônia o bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto.

Envie a um amigo | Imprima esta notícia

top


Suíça: igrejas cristãs confirmam compromisso com a unidade
Décimo aniversário da Charta Oecumenica

FRIBURGO, quinta-feira, 12 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Dez anos depois da Charta Oecumenica (Estrasburgo, 22 de abril de 2001), o compromisso com o diálogo e a colaboração para o anúncio conjunto do Evangelho continua atual, apesar das dificuldades.

É o que declararam o presidente da Federação das Igrejas Protestantes Suíças (FEPS), Gottfried Locher, e o presidente da Conferência Episcopal suíça (CES), Dom Norbert Brunner, por ocasião do aniversário da carta, celebrado nesta segunda-feira em Friburgo pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) e pela Conferência das Igrejas Europeias (KEK).

“A FEPS leva a sério este compromisso, porque as igrejas que anunciam juntas a Boa Nova têm mais credibilidade”, afirmou Locher.

“Os compromissos da Charta Oecumenica devem ser mais do que palavras bonitas. A unidade visível cresce através das estruturas exteriores, mas principalmente através da força da fé interior das nossas igrejas”.

A mesma opinião tem Dom Norbert Brunner. Sobre as atuais dificuldades no caminho ecumênico, o presidente da CES destacou que “a Charta Oecumenica não considera o diálogo e a colaboração como um fim, mas como a condição para o verdadeiro objetivo do movimento ecumênico: reunir a humanidade na única Igreja de Jesus”.

Locher, por sua vez, enfatizou que o movimento ecumênico deve partir de baixo: “Vejo com alegria paróquias em que a Charta é vivida e faz parte integrante da própria concepção da Igreja. Esta era a intenção e a esperança do acordo concluído há dez anos”.

Na Suíça, a Charta Oecumenica, que não tem caráter dogmático-magisterial nem jurídico-eclesial algum, continua sendo um dos principais documentos ecumênicos da última década.

A Charta Oecumenica é um processo em continua construção, que já definiu, de uma forma ou de outra, o caminho ecumênico de várias comunidades eclesiais na Europa, como garantem as numerosas traduções (mais de trinta, do árabe ao espanhol e do grego ao esperanto) e as dezenas de igrejas, comunidades, associações e movimentos eclesiais que a assinaram.

A penetração da Charta Oecumenica no tecido institucional eclesial e social europeu é tamanha que até documentos de instituições laicas a citam, como a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.

Envie a um amigo | Imprima esta notícia

top


Em foco


João Paulo II foi apóstolo do mundo do trabalho
Organizado ato em Roma pelos os 30 anos da “Laborem exercens”

ROMA, quinta-feira, 12 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Uma vigília de oração dedicada ao Beato João Paulo II por ocasião dos 30 anos da sua primeira encíclica social, a Laborem exercens, foi realizada ontem à noite em Roma, na Basílica da Santa Croce in Gerusalemme.

O evento foi uma iniciativa da Ação Católica de trabalhadores italianos, do sindicato católico CISL e do Movimento Comunhão e Libertação, e também foi realizado em outras igrejas italianas. 

Na basílica lotada, a vigília foi presidida por Dom Paolo Schiavon, bispo auxiliar de Roma, e introduzida pelo chefe de comunicações do Vicariato de Roma, Dom Walter Insero, que recordou como o Papa Wojtyla gostava de se definir "não como um padre operário, mas sim um seminarista operário".

O representante sindical italiano, Rafael Bonanni, lembrou a preocupação pela falta de trabalho, especialmente entre os jovens e entre os que têm mais de 50 anos.

Entre as leituras, esteve a parábola dos talentos e o evangelho que diz: "Eu tive fome e me alimentaste...", intercaladas com alguns versos da Laborem exercens.

Dom Schiavon afirmou que "João Paulo II foi chamado de ‘profeta da doutrina social da Igreja', pois mostrou como o ensinamento proposto pela Igreja nasce do ‘sim' de Deus ao homem, do projeto de amor que Deus tem pelo homem, um plano que foi confiado especialmente à Igreja".

"A doutrina social - continuou ele - se nutre do Evangelho, do homem, de Jesus Cristo e dos principais problemas do mundo e da Igreja e é expressão da caridade desta última para com o mundo."

Dom Schiavon disse que "a história pessoal de Karol Wojtyla é importante para explicar como João Paulo II foi um profeta da doutrina social da Igreja", porque também em um papa existe o elemento humano e este Pontífice teve uma experiência pessoal no mundo do trabalho.

Sobre os novos desafios, recordou que "o conflito capital-trabalho foi superado por outros novos. Cresce o trabalho autônomo e também novas formas de trabalho. Crescem as preferências por trabalhos mais criativos, por um sistema mais equilibrado; e se repropõe a instrução técnica profissional".

"Cristo tem a ver - indicou o bispo - com o empenho social do homem, com o trabalho, com a atuação econômica, porque nesses lugares o homem se instrui, encontra a verdade de si mesmo e dos outros, encontra Cristo."

Sua excelência precisou que, "por isso, na Laboren Exercens, o trabalho é concebido como um elemento de desenvolvimento global, natural e sobrenatural da pessoa e, portanto, o momento da própria santificação interior, o momento da construção de um mundo melhor, o tempo em que amadurece uma nova humanidade, o momento da responsabilidade e da solidariedade".

O trabalho, assim, torna-se "um quadro concreto para uma ação de desenvolvimento que, além disso, cria condições de trabalho para outros" e "João Paulo II pediu que essa espiritualidade cristã passasse a ser um patrimônio de todos, especialmente nos dias de hoje".

Dom Schiavon explicou que existe uma novidade importante da encíclica social de João Paulo II, que deu uma mudança de rumo, porque "mudou o foco a partir das problemáticas tradicionais - trabalho, trabalhadores, salário justo, relações sindicais, lucro e empresa - à grande questão da ecologia do trabalho".

Assim, Wojtyla considerava "necessário construir uma cultura do trabalho, capaz de levar a uma síntese suas diversas dimensões, da pessoal à econômica, à social".

"Recordemos, por um instante - prosseguiu - as observações de João Paulo II na Laborem exercens: o trabalho é para o homem, e não o homem para o trabalho. É um convite a pensar em termos de ecologia social do trabalho."

Este pensamento se encontra "também na encíclica de Bento XVI, Caritas in veritate, que introduz novos conceitos e dimensões, como o desenvolvimento da verdade e do amor".

E Bento XVI indicou que "a crise econômica e financeira poderá ser uma oportunidade para um novo modelo de desenvolvimento, colocando no centro a pessoa, sua dignidade, responsabilidade, empenho no trabalho, na lógica da fraternidade e da reciprocidade", porque o centro do problema é que "o mercado tem de se abrir ao homem para obter o bem comum".

Dom Schiavon concluiu com um convite aos presentes: "A vocês corresponde a tarefa de ser uma luz acesa no mundo do trabalho, em suas fadigas e contradições, para, assim, ser sal da terra e luz do mundo".

Envie a um amigo | Imprima esta notícia

top


Bispo egípcio: necessária mais segurança para igrejas e fiéis
Nos últimos dias, duas igrejas da sua diocese foram atacadas

CAIRO, quinta-feira, 12 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Doze mortos e 200 feridos é o balanço dos dois ataques desse sábado contra igrejas da diocese de Gizé.

O bispo local, Dom Antonios Aziz Mina, afirmou que a polícia e o exército estavam “aterrorizados” e foram “lentos” em responder à emergência, no bairro cairota de Imbaba.

Falando para a associação internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIN), o bispo pediu justiça e acusou os extremistas de querer precipitar o Egito numa guerra civil.

“Sem a ação da polícia e do exército, vai ser o caos, a anarquia total. O exército não vai se opor a quem faz isso. Quer ficar neutro. A polícia aparece, mas muito devagar. Os policiais estão aterrorizados. Não são fortes o bastante”.

O bispo, copta católico, descreveu a morte de um dos seus fiéis, Naashaat Rateeb, de 60 anos, e honrou a sua valentia reconhecendo-o como “o braço direito” do sacerdote copta católico local.

A violência do último sábado explodiu depois que 500 muçulmanos salafitas se reuniram diante da igreja copta de São Minas, onde acusaram os cristãos de sequestrar uma jovem supostamente convertida do cristianismo ao islã.

A jovem, esposa de um sacerdote ortodoxo, apareceu depois na televisão reafirmando sua fé cristã, mas os extremistas responderam dizendo que a mulher que procuravam era outra, em condições parecidas.

Segundo testemunhas, houve tiros e até lançamento de granadas. O exército egípcio declarou ter prendido 200 pessoas depois dos enfrentamentos e anunciou que elas passarão por um processo militar, com o objetivo de prevenir episódios semelhantes.

A outra igreja alvo da violência foi a copta ortodoxa da Virgem Maria.

Os militares aumentaram a segurança em torno às igrejas do Cairo. Para Dom Aziz, restabelecer a ordem não é suficiente.

“Não podemos ter paz e reconciliação sem que os responsáveis sejam entregues à justiça”, declarou. “Senão, a reconciliação é só um teatro e os problemas vão continuar”. A violência “é um peso grande demais para os cristãos”, completou o bispo.

Por sua vez, o cardeal Antonios Naguib, patriarca copta católico de Alexandria, confessou que a situação atual é “muito grave”, mas observou que o governo, guiado pelos militares, está começando a levar a sério o problema da violência extremista.

O bispo copta católico de Luxor, Dom Joannes Zakaria, afirmou que os fiéis não se deixam intimidar pelas ameaças.

“No fim de semana, eu fui celebrar a missa num dos nossos povoados e imaginei que iria achar as pessoas assustadas. Mas foram eles que me encorajaram. Não é próprio do nosso caráter nos render. No dia seguinte, nós juntamos os restos e começamos de novo. O povo está decidido a dar testemunho nos lugares em que vive”, concluiu.

Envie a um amigo | Imprima esta notícia

top


A Igreja copta, à mercê dos salafitas
Pelo menos 12 coptas assassinados no Cairo

Por Paul de Maeyer

ROMA, quinta-feira, 12 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Uma nova onda de violência inter-religiosa no Egito deixou ao menos 12 coptas mortos e 232 pessoas feridas na tarde de sábado, 7 de maio, quando centenas de manifestantes salafitas, uma corrente muçulmana fundamentalista, atacaram a igreja copta de São Minas, no bairro de Imbaba, periferia do Cairo (AINA - Assyrian International News Agency, 8 de maio).

Os manifestantes pediam aos gritos a libertação de uma mulher supostamente convertida ao islã, uma jovem chamada Abir, que estaria presa no complexo da igreja, fato negado pelo próprio governador da província de Gizé e pelo padre Yohanna Mansour, da diocese copta de Gizé. Depois das agressões verbais iniciais, a situação degenerou rapidamente e passou para os ataques com pedras e coquetéis molotov, até começarem os tiros. Algumas casas sofreram danos, inclusive incêndios, junto com outras duas igrejas do mesmo bairro, entre as quais uma católica (Fides, 9 de maio). “Um grupo de salafitas entrou atirando na igreja e matou o pai de um dos nossos postulantes, que está em Uganda”, contó a Fides o padre Luciano Verdoscia, missionário comboniano.

Segundo o jornal egípcio Al-Ahram (8 de maio), os incidentes ocorreram poucas horas depois que um canal de televisão sediado em Chipre -Hayat Christian TV- mostrou outra suposta neo-conversa ao islã, Camelia Shehata Zakher, esposa de um sacerdote copta que, junto com a outra “convertida”, Wafa' Costantine, está no centro da polêmica entre a comunidade muçulmana e a copta. Na televisão, Shehata negou que tivesse se convertido ao islã. Em gravação disponível no YouTube, a mulher, de 25 anos, afirma que pertence à igreja copta e nega ter sido torturada, como alguns grupos muçulmanos tinham denunciado. “Sou cristã por escolha pessoal”, afirmou ela, dizendo-se ainda “muito fiel à Igreja”.

Mas a falsa história da “conversão” de Shehata e Wafa' Constantine continua envenenando as relações entre as duas comunidades.

Na tentativa de se consolidar no Egito pós-Mubarak, o movimento conservador dos salafitas procura tirar o máximo proveito da polêmica dos supostos conversos. Se antes pouco se falava dos salafitas, após a queda de Mubarak, em 11 de fevereiro, eles passaram a ser “muito ativos”, tentando, por exemplo, assumir o controle de uma das maiores mesquitas da capital, a Nour ou Noor. Foram impedidos pelos militares.

Nas últimas semanas, indivíduos ou grupos salafitas lançaram vários ataques contra igrejas coptas. Na quarta-feira 30 de março, no coração do Cairo, foi anunciada uma aliança para apoiar os “novos muçulmanos”: segundo os responsáveis, cerca de 70 conversos ao islã teriam sido sequestrados pelos coptas (ZENIT, 14 de abril de 2011).

Sincronizados com a Páscoa cristã, os salafitas anunciaram seu “programa” de dez pontos ou pedidos à Igreja copta durante uma manifestação no domingo 25 de abril, diante da mesquita El Kayed Ibrahim de Alexandria. Entre as exigências estão “a libertação de Shehata e Wafa' Constantine” e “a inspeção dos mosteiros e igrejas para procurar mulheres muçulmanas aprisionadas pela Igreja” (AINA, 30 de abril).

Algumas testemunhas relatam que no ataque de sábado alguns salafitas estavam vestidos como os talibãs. Segundo um residente de Imbaba, Saber Loutfi, que falou para o Coptic Free Voice, os responsáveis pertencem aos “3.000 jihadistas que voltaram recentemente do Afeganistão” (AINA, 8 de maio). A pobreza também alimenta o extremismo, como declarou o padre Verdoscia à Fides. “Imbaba é um bairro pobre e o fanatismo prospera onde reinam a ignorância e a pobreza. Os salafitas são um grupo minoritário, mas barulhento, graças inclusive a ações violentas”.

O banho de sangue em Imbaba ligou o alerta para o governo do primeiro ministro Essam Sharaf, que adiou uma visita ao Bahrein e aos Emirados Árabes Unidos e convocou uma reunião de emergência para discutir a situação. O ministro da Justiça, Abdel Aziz al-Gindi, afirmou que o governo manterá “punhos de ferro” contra os que ameaçarem a segurança do país (BBC, 9 de maio). Os militares também parecem decididos a ser duros: “O Supremo Conselho Militar decidiu enviar todas as pessoas presas no sábado ao Tribunal Supremo Militar” (BBC, 8 de maio).

O Grande Mufti do Egito, professor Alí Gomaa, exortou os egípcios a “ficarem unidos para evitar os enfrentamentos” (Reuters, 8 de maio). Essam El-Erian afirmou com clareza: “Precisamos mudar de vida contra esta violência. Não podemos permitir que essa gente arruíne o que fizemos na Revolução de janeiro”, disse o porta-voz dos Irmãos Muçulmanos (Al-Ahram). â€œO incidente de Imbala demonstra claramente que algumas pessoas continuam atuando às escondidas para provocar os conflitos sectários”, declarou El-Erian, fazendo alusão ao partido do ex-homem forte do Egito, o ‘National Democratic Party’ (NDP). Segundo os meios de comunicação egípcios, seria uma “contrarrevolução” organizada dos restos da formação política, dissolvida oficialmente pela justiça egípcia no dia 16 de abril passado.

Nem sequer o bispo de Gizeh, Dom Anba Theodosius, tem dúvidas. “Essas coisas estão planejadas”, disse com amargura (AINA, 8 de maio). “Não temos lei nem segurança, estamos na selva. Estamos em um estado de caos. Um rumor percorre toda a região. Todo dia é uma catástrofe”, continuou o prelado, que não pretende ceder em nada aos extremistas. “Não abandonaremos nunca o nosso país”, disse com firmeza.

A Igreja local também criticou as forças de ordem. “O exército não se oporá às pessoas que fazem essas coisas. Querem permanecer neutros. A polícia chega, mas muito lentamente. Tem medo”, declarou em uma entrevista concedida a AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), dia 9 de maio, o bispo católico de Gizeh, Dom Antonios Aziz Mina.

Para o bispo, não basta restabelecer a ordem. “Não podemos alcançar a paz e a reconciliação sem antes levar essa gente à justiça. Senão a reconciliação será um teatro e os problemas continuarão existindo”, disse. No bairro de Imbaba, a comunidade copta começou â€" segundo o jornal egípcio Al-Masry Al-Youm (8 de maio) â€", a formar grupos de auto-defesa.

Para o padre Verdoscia, urge uma reforma no islã. “O islã deve evoluir â€" disse a ‘Fides’ â€". Espero que os muçulmanos moderados possam se distanciar de determinadas leituras do islã”. Segundo o comboniano, que vive no Egito há muitos anos, “esses homicídios acontecem quando no islã, uma categoria de pessoas é declarada 'kuffar' (infiel); podem então ser assassinadas ou privadas de todos os seus bens. As interpretações desse tipo devem ser revisadas pelos próprios muçulmanos”.

Envie a um amigo | Imprima esta notícia

top


Espiritualidade


Liturgia da Palavra: O Senhor é o pastor que me conduz
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração

SÃO PAULO, quinta-feira, 12 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos o comentário à liturgia do IV Domingo da Páscoa â€" At 2, 14. 36-41; 1 Pd 2, 20b-25; Jo 10, 1-10 â€" redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). Doutor em liturgia pelo â€˜Pontificio Ateneo Santo Anselmo’ (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical, às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT. 

* * *

IV DOMINGO DA PÁSCOA

Leituras: At 2, 14. 36-41; 1 Pd 2, 20b-25; Jo 10, 1 â€" 10

O Senhor é o pastor que me conduz; para águas repousantes me encaminha” (Sl 22 â€" Salmo Responsorial).

Com a voz do salmista, a Igreja inteira â€" que continua celebrando a surpreendente vitória sobre as tribulações e a morte do seu Senhor, crucificado pelos homens mas ressuscitado pelo Pai, segundo o testemunho de Pedro (primeira leitura: At 2, 36) â€" proclama com alegria e gratidão, neste canto, o âmago da sua nova existência no Senhor. Descobre a si mesma como forte e vencedora dos desafios do mal e dos perseguidores, não por força própria, mas pela força do seu Senhor, que está presente junto dela, guiando-a, como o pastor que guarda e guia o seu rebanho.

Quem poderia imaginar que aquele que iria realizar o papel deste pastor, capaz de infundir tamanha segurança e beatitude nas ovelhas do Senhor, seria um cordeiro, ou melhor, “O Cordeiro”? 

O bom pastor se fez cordeiro, dando a própria vida para que as ovelhas tenham a vida. Este é o paradoxo da Páscoa! Esta é a real perspectiva da história, que à luz da páscoa permite aos discípulos de Jesus vislumbrá-la presente até dentro da própria existência, dando-lhes a força de perseverar na esperança e de enfrentar com alegria as tribulações, suportadas por causa da fidelidade ao Senhor (segunda leitura: 1 Pd 2, 20-21).

A visão profética do autor do Apocalipse contempla na sua plenitude a condição de fecundidade e de paz que a Igreja, e cada discípulo e discípula, pode antecipar na esperança. Seguir o caminho de Jesus, partilhar na fé a sorte dele, que por amor se deixou imolar como cordeiro inocente, a fim de resgatar o povo de Deus, disperso pelo pecado como ovelhas desgarradas, significa voltar ao redil do Senhor e encontrar nele segurança, pastagens abundantes e paz. Pedro descreve a mudança de condição da alienação ao encontro, com um novo centro da própria vida em Cristo: “Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda da vossa fé” (1 Pd 2, 25).

Foi o início de uma radical transformação, que João contempla na sua plena florescência: “Esses são os que saíram de uma grande tribulação, lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro... Não passarão fome nem sede, o sol não os prejudicará nem o mormaço, porque o Cordeiro que está no trono os apascentará e os guiará a fontes de água viva. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos” (Ap 7, 13-17).

Seria uma fuga nos sonhos de um futuro improvável, diante das insuportáveis falhas do presente tão opaco? 

Os mártires de ontem e de hoje atestam o contrário. 

Há alguns dias, entrevistado na TV sobre a escassez de missionários na Amazônia e sobre como enfrentar o desafio de um território tão imenso e de condições de vida bastante difíceis, um bispo daquela região, com uma grande serenidade no rosto e a luminosidade nos olhos de quem já viu muitas vezes as maravilhas operadas pelo Senhor, dentro da fragilidade humana e das estruturas, respondeu: “Vinde conosco, a partilhar este maravilhoso desafio da evangelização na Amazônia! Não tenhais medo! Experimentamos todos os dias como o Senhor tem cuidado de nós, nos sustenta, nos guia e nos dá sua paz e alegria!”.

“O Senhor é o pastor que me conduz; para águas repousantes me encaminha... Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei”. Este bispo humilde e este povo simples e corajoso compuseram seu próprio canto novo ao Senhor bom pastor. Eles nos convidam a nos unirmos a eles e a compormos, nós também, o nosso canto, que proclama a novidade que o Senhor está criando dentro de nós e para nós, acompanhando-nos com alegria e paz, do momento que nos colocamos no seguimento do caminho do Cordeiro que nos precede. 

Na Amazônia, assim como na paróquia ou na família, ou em qualquer outro lugar e condição de vida onde o Senhor nos coloca, Ele nos chama a segui-lo. Não podemos esquecer que o nome do Cordeiro e o do Pai estão gravados na nossa fronte, desde o dia do nosso batismo, e que por isso pertencemos a ele e a seu rebanho, de quem ele tem fiel cuidado (cf. Ap 14, 1).

“Cantam um cântico novo diante do trono, diante dos quatro seres vivos e dos anjos. Ninguém podia aprender o cântico, exceto os cento e quarenta e quatro mil resgatados da terra... Eles acompanham o Cordeiro aonde for. Foram resgatados da humanidade como primícias para Deus e para o Cordeiro” (Ap 14, 3-4).

No evangelho de hoje Jesus utiliza a imagem do pastor, bem conhecida na tradição do AT, sobretudo nos profetas (cf. Is 40,11; Jr 23; Ez 34) e nos salmos (cf. 23; 80), e familiar aos seus ouvintes. Com ela Jesus destaca sua tarefa de messias, enviado por Deus em favor de Israel e de todos os povos. Ao redor da imagem do pastor, está gravitando uma série de outras imagens conexas com a atuação do pastor e a vida das ovelhas: a porta do redil, o porteiro que a controla, o estranho que as ovelhas não conhecem, o ladrão que assalta para roubar e matar, o pastor que sai à frente do rebanho para guiá-lo a pastagens seguras, a relação pessoal estabelecida pelo pastor com cada uma das ovelhas.

Outras imagens, sobretudo a do mercenário que foge diante da vinda do lobo, e a do pastor autêntico que, ao invés, luta para defender o rebanho até dar a própria vida por ele, são desenvolvidas na segunda parte do capítulo (10, 11-18). Esta parte será proclamada no quarto domingo da Páscoa do Ano B.

No centro desta encruzilhada de imagens está a pessoa de Jesus â€" pastor legítimo e porta do redil â€", a sua mediação única e a sua missão, caracterizada pela profunda relação existencial estabelecida por ele com cada uma das ovelhas.

Nestas imagens está expressa a história da relação de Deus com o povo de Israel, a experiência pascal do próprio Jesus, e a missão por ele entregue à Igreja, missão a ser desenvolvida no mesmo estilo pascal, de doação de si mesmo e de serviço, doação esta vivenciada pelo próprio Jesus. Ele, o pastor autêntico, teve cuidado do povo que o Pai lhe entregou, até o ponto de doar a própria vida para defender as ovelhas e comunicar-lhes a sua própria vida e a comunhão com o Pai.

A vida inteira de Jesus se apresenta como cumprimento da profecia que pré-anuncia o cuidado do povo por parte de Deus e, ao mesmo tempo, seu severo julgamento sobre os falsos pastores. Por isso os gestos e as palavras de Jesus provocam reações contrastantes: alegria nos simples de coração, que reconhecem a presença de Deus em Jesus, violência nos que se sentem questionados: “Estas palavras provocaram nova divisão entre os judeus. Muitos diziam: Está endemoninhado e louco. Porque o escutais? Outros diziam: Essas palavras não são de um endemoninhado; pode um endemoninhado abrir os olhos dos cegos?” (Jo 10, 19-21).

“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). Estas palavras abrem as mais profundas perspectivas do serviço de Jesus pastor. O pastor guia as ovelhas para pastagens que se encontram diante delas, Jesus dá a si mesmo como pão da vida: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6, 35).

O pastor guia o rebanho para as águas da torrente, Jesus desperta naqueles que acreditam nele a fonte inesgotável de água viva, que é o próprio Espírito Santo: “‘Se alguém tem sede, venha a mim e beberá, aquele que crêem em mim!’; conforme a palavra da escritura, ‘De seu seio jorrarão rios de água viva’. Ele falava do Espírito que deviam receber aqueles que haviam crido nele” (Jo 7, 37-39).

O caminho a seguir para entrar no redil â€" que é o Reino de Deus â€" não está fora, mas dentro de nós: a conversão ao Senhor e a conformação a ele. Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6 ). A relação com ele se torna dinâmica e criadora, um caminho sem fim. A Igreja exprime esta consciência nas três orações que acompanharam a celebração eucarística ao longo da semana, mas sobretudo na celebração deste domingo.

Com a Oração do dia, a Igreja pede que o próprio Senhor conduza o rebanho até a experiência da comunhão divina, para que “possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do pastor”. No mesmo espírito, a Oração sobre as oferendas invoca a graça de saber apreciar o dinamismo dos mistérios pascais, “para que nos renovem continuamente e sejam fonte de eterna alegria”.

Enquanto a Oração depois da comunhão solicita ao mesmo bom pastor que vele sobre o rebanho a caminho, para que possa chegar a gozar a vida plena, “nos prados eternos, as ovelhas remidas pelo seu sangue”.

Nesta base, a relação entre pastor e ovelhas, entre o mestre e o discípulo, não é somente a do ensino iluminador, nem do exemplo divino a seguir, mas relação de recíproco conhecimento, relação íntima, pessoal, única, e transformadora. “Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora... e caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz” (Jo 10, 3-4).

Esta relação de intimidade com o Senhor, fruto do seu amor gratuito, é o cume da nova aliança prometida pelo profeta Jeremias (31,31-34), selada pela presença do mesmo Espírito que nos faz nos relacionarmos com Deus como Pai: “Porque sois filhos, enviou Deus aos nossos corações o Espírito do seu filho, que clama: Abba, Pai!” (Gl 4,6).

“Procura saber como o homem pode amar a Deus; não encontrarás resposta, a não ser este: Deus o amou primeiro. Deu-se a si mesmo aquele que amamos, deu-nos a capacidade de amar.... pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Santo Agostinho, Sermão 34,1-3; LH, 3ª Semana da páscoa, terça-feira).

Jesus, bom pastor, e “pastor supremo” do rebanho de Deus, com sua atitude de dedicação sem reserva e de serviço à vida das ovelhas até o dom de si próprio, é o modelo daqueles que, em seu nome, exercitam o pastoreio e o cuidado generoso e humilde em prol do rebanho do Senhor. É um confronto desafiador, e por isso também única verdadeira medida para individuar o verdadeiro sentido de todo serviço pastoral na Igreja, e para verificar a autenticidade do ministério na Igreja.

São Pedro orienta os pastores nesta direção, no fim de sua carta: “Apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado, cuidando dele, não como por coação, mas de livre vontade, como Deus o quer.... Assim quando aparecer o supremo pastor recebereis a coroa imarcescível da glória” ( 1 Pd 5, 2-5).

Nós vivemos desde sempre o pecado da divisão do rebanho do Senhor, em nome de chefes, tradições doutrinais, disciplinas eclesiásticas, que ao pretender possuir com exclusividade a verdade do evangelho acabaram por dividir o próprio Senhor (cf. 1 Cor 1, 10-13). O Senhor Jesus assumiu também este pecado dos discípulos de todo tempo, e fez a superação desta negação da sua cruz, a razão da sua intensa e eterna oração ao Pai, para que os discípulos ao fim “sejam um, como nós” (Jo 17, 11).

A consciência deste pecado estrutural que nos acompanha e nos fere profundamente, e o empenho para voltar à unidade pela qual Jesus morreu e rezou ao Pai, desde o Concílio (cf. o documento Unitatis Redintegratio) faz parte da nossa identidade irrenunciável de cristãos do século XXI. É nossa maneira de caminhar seguindo o Bom Pastor que nos precede para a casa do Pai, para que esta se torne de verdade a casa comum para todos.

Envie a um amigo | Imprima esta notícia

top


Documentação


CNBB: moção de apoio aos parlamentares em defesa da vida

APARECIDA, quinta-feira, 12 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos a Moção de Apoio à Frente Parlamentar Mista em Defesa da Vida-Contra o aborto, texto divulgado hoje CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), no contexto de sua assembleia geral em Aparecida.

* * *

Nós, Bispos Católicos do Brasil, reunidos na 49ª Assembléia Geral da CNBB, de 4 a 13 de maio, em Aparecida (SP), não poderíamos deixar de manifestar nosso elogio e apoio à Frente Parlamentar mista-contra o aborto, pelo exemplar testemunho humanitário em favor da natalidade da pessoa humana, cuja dignidade é inviolável.

Todo trabalho que vem sendo feito pela denominada Frente Parlamentar, composta por políticos brasileiros de diversos credos e vários partidos, é digno da nossa admiração e incentivo.

Na grande luta em defesa da vida, apoiamos integralmente o Projeto do Estatuto do Nascituro e a proposta de emenda à Constituição Federal (PEC), que implica a introdução no artigo 5º da seguinte frase: a inviolabilidade da vida desde a fecundação.

Reconhecemos o valor e os objetivos dos diversos projetos do governo a favor da vida no período da gestação e da primeira infância, desde que a criança seja respeitada a partir da fecundação, e esperamos que seus resultados sejam tão expressivos quanto aos que são obtidos pelo trabalho desenvolvido, há anos, pela Pastoral da Criança no Brasil e no exterior.

Juntos, unidos num só coração, esforcemo-nos pela conquista de um Brasil sem aborto sob a proteção de Maria que deu seu Sim à vida.

Aparecida, 11 de maio de 2011

Dom Geraldo Lyrio Rocha

Arcebispo de Mariana-MG

Presidente da CNBB Dom Luiz Soares Vieira

Arcebispo de Manaus-AM

Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa

Arcebispo nomeado para Campo Grande - MS

Secretário Geral da CNBB

Envie a um amigo | Imprima esta notícia

top


Nota da CNBB em defesa dos indígenas

APARECIDA, quinta-feira, 12 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos a nota sobre a questão indígena aprovada na manhã de hoje pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), reunida em assembleia geral em Aparecida.

* * * 

Compromisso solidário da CNBB com a Causa Indígena no Brasil

“Salva, Senhor, nosso povo” (Jr 31,7)

Reunidos na 49ª Assembléia Geral, nós, bispos do Brasil, mais uma vez tomamos conhecimento dos sofrimentos e injustiças que afetam os povos indígenas do nosso País. Por isso, não podemos deixar de reagir, de forma solidária e comprometida, diante da grave situação em que se encontram tantos desses nossos irmãos.

A V Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, realizada em maio de 2007, declara que “o nosso serviço pastoral à vida plena dos povos indígenas exige que anunciemos Jesus Cristo e a Boa Nova do Reino de Deus, denunciemos as situações de pecado, as estruturas de morte, a violência e as injustiças internas e externas e fomentemos o diálogo intercultural, interreligioso e ecumênico” (DAp 95).

Dentre os mais de 250 povos indígenas do Brasil, cerca de 90 permanecem na condição de isolamento voluntário. Vivem no meio da floresta, mas têm suas vidas ameaçadas pelos grandes projetos governamentais, muitos deles parte do Programa Nacional de Aceleração do Crescimento (PAC), que avançam sobre seus territórios tradicionais. A condição de vulnerabilidade em que se encontram os expõe ao permanente risco de extinção em conseqüência dos sérios danos causados por muitas dessas obras, que se demonstram altamente prejudiciais ao próprio meio ambiente.

Muitos povos indígenas enfrentam conflitos decorrentes da não demarcação de suas terras, perseguição de suas lideranças, ameaças de morte, assassinatos, prisões ilegais, criminalização de suas lutas e outras agressões à sua dignidade e aos seus direitos constitucionais. Esses conflitos são responsáveis pelo alto índice de violência que, de 2003 a 2010, ceifou a vida de 499 indígenas, a maioria deles no Estado do Mato Grosso do Sul. Outros 748 encontram-se presos, porque diante de questões não resolvidas, são levados ao desespero e à agressividade. Pelo menos 60 lideranças respondem processos em conseqüência de suas atuações em defesa de seus territórios. Lamentavelmente, esse quadro tende a se agravar diante da paralisação dos procedimentos de demarcação de novas terras e do avanço dos mais de 400 empreendimentos que atingirão 182 terras já demarcadas.

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano tem os contornos de um desafio e de um imperativo: construir e reconstruir a vida no Brasil, no Continente Latino-americano e no planeta Terra como Vida em Fraternidade com os Povos Indígenas: “Uma Terra sem Males”.

Por essa razão, queremos sensibilizar a sociedade brasileira e chamar a atenção do Governo Federal para que cumpra o seu dever constitucional de demarcar e proteger todas as terras tradicionalmente ocupadas, conforme estabelece o artigo 231, de nossa Carta Magna. É necessário ouvir os povos indígenas conforme a decisão da Organização Internacional do Trabalho (OIT) nos projetos que interferem em seus territórios, bem como combater a violência e proteger a integridade física dos membros de suas comunidades.

Confiamos os nossos irmãos indígenas à proteção de Nossa Senhora de Guadalupe e do bem-aventurado José de Anchieta, convictos de que a verdadeira evangelização traz consigo a autêntica promoção social, cultural e econômica.

Aparecida, 12 de maio de 2011.

Dom Geraldo Lyrio Rocha

Presidente da CNBB

Arcebispo de Mariana â€" MG

Dom Luiz Soares Vieira

Vice-Presidente da CNBB

Arcebispo de Manaus â€" AM

Dom Dimas Lara Barbosa

Secretário Geral da CNBB

Arcebispo nomeado para Campo Grande - MS

Envie a um amigo | Imprima esta notícia

top



Nenhum comentário:

Postar um comentário