terça-feira, 28 de agosto de 2012

Para apagar o incêndio


Por Rodrigo Martins e Tory Oliveira
As escolas da rede pública tiraram nota 3,4 no Ideb de 2011, o mesmo índice de dois anos atrás. Foto: Gilson Teixeira/D. A. Press
Após a divulgação dos vexatórios resultados do ensino médio na última edição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o Ministério da Educação planeja uma ampla modernização do currículo, com a integração das diversas disciplinas em grandes áreas do conhecimento. Na terça-feira 21, o ministro Aloizio Mercadante reuniu-se com os secretários estaduais da área e propôs a criação de um grupo de trabalho para estudar a proposta, inspirada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que organiza as matrizes curriculares em quatro grupos: linguagens, matemática, ciências humanas e da natureza e suas tecnologias.
“Hoje, o ensino médio tem uma estrutura curricular enciclopédica. São, no mínimo, 13 disciplinas obrigatórias, que podem chegar a 20 se incluirmos as optativas. Com apenas quatro horas de aula por dia é muito difícil para o aluno integrar esse conteúdo, sistematizar essas informações”, afirma o ministro Mercadante em entrevista a CartaCapital. “O ideal seria que todas as escolas funcionassem em período integral, como ocorre nos países desenvolvidos. Queremos trilhar esse caminho, mas o currículo também deve ser repensado.”
A situação realmente exige uma intervenção drástica. Com escala de 0 a 10, o Ideb considera o desempenho dos alunos em português e matemática, além da taxa de aprovação dos estudantes. Divulgada a cada dois anos, a nota das escolas da rede pública de ensino médio ficou estagnada em 3,4 em 2011. Ainda que esteja dentro da meta, o índice permanece o mesmo de 2009. Pior: dos 27 estados da Federação, 11 não alcançaram as notas propostas para o ano passado no ensino médio como um todo, público e particular. Em alguns deles houve retrocesso, como Alagoas (que caiu de 3,1 para 2,9), Espírito Santo (3,8 para 3,6) e Rio Grande do Sul (3,9 para 3,7).

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